29/06/2016
Quem passa em frente à Estação Ferroviária da Calçada não deixa de notar que, na parte de cima do edifício, há um relógio. Pode parecer algo sem importância, mas o tímido relógio tem história. Quando a Estação Jequitaia – antigo nome da Estação da Calçada – foi inaugurada em 1860, uma das exigências era a presença de um relógio na fachada da Estação. Persistente, o relógio histórico resistiu como pôde, mas, na década de 1980, ele foi substituído por outro.
Após a troca, o relógio mais recente trabalhou durante décadas, até que, em setembro do ano passado, ele parou de funcionar. As primeiras informações indicavam que o conserto seria uma árdua missão, devido à dificuldade de encontrar peças de reposição. Mesmo assim, a diretoria da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), decidiu tomar a iniciativa para reparar o relógio antigo. Missões especiais requerem medidas especiais. É aí que o relojoeiro Ibernon Gomes, 67, entra em cena.
Ex-funcionário da CTB, Seu Bel – como é conhecido na Companhia – aceitou ajudar o velho companheiro. "Eu já conhecia o bicho. Trabalhei com ele de 1983 a 2005, quando era funcionário daqui", lembra. Além da familiaridade, Seu Bel tem experiência de sobra. Por ser filho de relojoeiro, sempre conviveu com relógios. Acabou seguindo o mesmo ramo do pai e, desde os 15 anos, conserta equipamentos de todos os tipos - embora os grandes sejam a sua especialidade. "Todo relógio é diferente do outro. Mas quando a gente aprende de verdade, tudo é mais fácil. Se eu disser: 'vou fazer [o serviço]', sai da frente que eu vou fazer!", garante.
E fez mesmo. Há pouco mais de um mês, iniciou o conserto do relógio histórico e já o concluiu. "O relógio me deu um pouquinho de trabalho. Antigamente, eu só dava manutenção simples, passava um óleo, trocava a bateria... É a primeira vez que conserto ele na vida", conta.
O problema, segundo Seu Bel, foi a corrosão e degradação de peças importantes. O relógio histórico está ligado a um segundo relógio - o relógio mestre -, através de um sistema complexo de fios, baterias e bobinas. De minuto em minuto, o mestre manda energia ao primeiro, para fazê-lo funcionar. "Tinha danificado aí dentro, então acrescentei peças novas para dar mais segurança. Ele ficou um pouco mais forte para dar conta", explica.
Humilde, o relojoeiro fez questão de acrescentar a todo momento que só conseguiu com a ajuda dos colegas. Quando perguntado sobre o que sentia ao consertar um relógio tão importante, ele foi direto: "Faz parte da minha profissão. Se não fosse eu, outro relojoeiro faria o serviço". E como ele explica tanto cuidado e atenção aos detalhes? "Dou o meu máximo possível porque eu vivo disso. Quando começo, quero ir até o fim", completa.
Opinião - Mesmo na era digital - em que qualquer um pode consultar as horas através de um relógio de pulso ou celular -, o reparo do relógio da Calçada é tido como bem-vindo por passageiros da Estação. O rodoviário José Freitas, 59, comemora o feito. "Antes, não se usava tanto o celular. Me acostumei a me basear nele para ver as horas e já estava sentindo falta. Gostei de saber que ele foi consertado. É um patrimônio da cidade acima de tudo", pontua.
Até para quem não dependia tanto do relógio histórico, a atitude foi positiva. "Não olhava muito para ele, mas acho justo cuidar dos objetos históricos. Faz parte da história da cidade", ressalta o porteiro Antônio Jorge, 48. O empresário Mauro Oliveira, 55, ex morador da Ribeira, emocionado, disse que o relógio fazia parte da sua infância e adolescência. “Toda vez que voltava da escola e passava pela Calçada eu olhava o relógio pra estimar o tempo pra chegar em casa. Sabia que depois de 15 minutos estaria lá”. Recentemente ele passou pelo local e viu o relógio parado. “Exerci o meu papel de cidadão e fiz uma reclamação à Empresa. Hoje me sinto gratificado pelo retorno do relógio”.
História - No final do século XIX, não era comum ter um relógio de pulso para ver as horas. O Governo da Província, por determinação oficial de 20 de fevereiro de 1863, exigiu que um relógio fosse colocado na fachada da antiga Estação Jequitaia, para que qualquer um que passasse pudesse enxergar as horas. Uma das exigências era trazer o objeto da Europa o quanto antes. Por volta da década de 1980, a Estação da Calçada passou por uma grande reforma, e o relógio do século XIX foi substituído pelo atual relógio de marca IBM (International Business Machines), empresa referência no contexto. Na época, o horário do relógio da Estação tornou-se fundamental para usuários do transporte ferroviário. Até hoje, ele ainda é consultado pelos que querem saber as horas.
Após a troca, o relógio mais recente trabalhou durante décadas, até que, em setembro do ano passado, ele parou de funcionar. As primeiras informações indicavam que o conserto seria uma árdua missão, devido à dificuldade de encontrar peças de reposição. Mesmo assim, a diretoria da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), decidiu tomar a iniciativa para reparar o relógio antigo. Missões especiais requerem medidas especiais. É aí que o relojoeiro Ibernon Gomes, 67, entra em cena.
Ex-funcionário da CTB, Seu Bel – como é conhecido na Companhia – aceitou ajudar o velho companheiro. "Eu já conhecia o bicho. Trabalhei com ele de 1983 a 2005, quando era funcionário daqui", lembra. Além da familiaridade, Seu Bel tem experiência de sobra. Por ser filho de relojoeiro, sempre conviveu com relógios. Acabou seguindo o mesmo ramo do pai e, desde os 15 anos, conserta equipamentos de todos os tipos - embora os grandes sejam a sua especialidade. "Todo relógio é diferente do outro. Mas quando a gente aprende de verdade, tudo é mais fácil. Se eu disser: 'vou fazer [o serviço]', sai da frente que eu vou fazer!", garante.
E fez mesmo. Há pouco mais de um mês, iniciou o conserto do relógio histórico e já o concluiu. "O relógio me deu um pouquinho de trabalho. Antigamente, eu só dava manutenção simples, passava um óleo, trocava a bateria... É a primeira vez que conserto ele na vida", conta.
O problema, segundo Seu Bel, foi a corrosão e degradação de peças importantes. O relógio histórico está ligado a um segundo relógio - o relógio mestre -, através de um sistema complexo de fios, baterias e bobinas. De minuto em minuto, o mestre manda energia ao primeiro, para fazê-lo funcionar. "Tinha danificado aí dentro, então acrescentei peças novas para dar mais segurança. Ele ficou um pouco mais forte para dar conta", explica.
Humilde, o relojoeiro fez questão de acrescentar a todo momento que só conseguiu com a ajuda dos colegas. Quando perguntado sobre o que sentia ao consertar um relógio tão importante, ele foi direto: "Faz parte da minha profissão. Se não fosse eu, outro relojoeiro faria o serviço". E como ele explica tanto cuidado e atenção aos detalhes? "Dou o meu máximo possível porque eu vivo disso. Quando começo, quero ir até o fim", completa.
Opinião - Mesmo na era digital - em que qualquer um pode consultar as horas através de um relógio de pulso ou celular -, o reparo do relógio da Calçada é tido como bem-vindo por passageiros da Estação. O rodoviário José Freitas, 59, comemora o feito. "Antes, não se usava tanto o celular. Me acostumei a me basear nele para ver as horas e já estava sentindo falta. Gostei de saber que ele foi consertado. É um patrimônio da cidade acima de tudo", pontua.
Até para quem não dependia tanto do relógio histórico, a atitude foi positiva. "Não olhava muito para ele, mas acho justo cuidar dos objetos históricos. Faz parte da história da cidade", ressalta o porteiro Antônio Jorge, 48. O empresário Mauro Oliveira, 55, ex morador da Ribeira, emocionado, disse que o relógio fazia parte da sua infância e adolescência. “Toda vez que voltava da escola e passava pela Calçada eu olhava o relógio pra estimar o tempo pra chegar em casa. Sabia que depois de 15 minutos estaria lá”. Recentemente ele passou pelo local e viu o relógio parado. “Exerci o meu papel de cidadão e fiz uma reclamação à Empresa. Hoje me sinto gratificado pelo retorno do relógio”.
História - No final do século XIX, não era comum ter um relógio de pulso para ver as horas. O Governo da Província, por determinação oficial de 20 de fevereiro de 1863, exigiu que um relógio fosse colocado na fachada da antiga Estação Jequitaia, para que qualquer um que passasse pudesse enxergar as horas. Uma das exigências era trazer o objeto da Europa o quanto antes. Por volta da década de 1980, a Estação da Calçada passou por uma grande reforma, e o relógio do século XIX foi substituído pelo atual relógio de marca IBM (International Business Machines), empresa referência no contexto. Na época, o horário do relógio da Estação tornou-se fundamental para usuários do transporte ferroviário. Até hoje, ele ainda é consultado pelos que querem saber as horas.
Confira as fotos abaixo:

Fonte
SEDUR