Ilê Aiyê mudou paradigma do Carnaval de Salvador, diz secretário

Publicado: 07/02/2016 Última atualização: 08/10/2026 às 16:35

A percussão, a dança e a alegria contagiante atraíram milhares de pessoas ao tradicional cortejo do Ilê Aiyê, na noite neste sábado (6), a partir da mais famosa Ladeira do Curuzu, na capital baiana. Em quatro décadas, a agremiação alcançou três mil associados e esta não foi a marca mais relevante. Ao longo de 42 Carnavais, o Ilê  contribuiu decisivamente para o combate ao racismo.

 

"O Ilê Aiyê permitiu a afirmação étnica e política das comunidades negras”, afirmou o secretário do Turismo da Bahia, Nelson Pelegrino, enquanto acompanhava os preparativos para a saída do bloco. "Este movimento mudou o paradigma do Carnaval de Salvador ao abordar assuntos ligados à temática negra".

 

Criado em 1974, no Bairro da Liberdade, o bloco carnavalesco tem Antônio Carlos Vovô como um dos fundadores. Naquela época, os grandes blocos e clubes eram de brancos. A criação de um bloco onde o negro fosse o protagonista trouxe resultados tão positivos que contribuiu para a criação de outros blocos afro, como o Malê Debalê (1979), Olodum (1979), Muzenza (1981) e Cortejo Afro (1998), entre outros.

 

Com o tema ‘O Recôncavo Baiano é Afrodescendente’ em 2016, o bloco do Ilê Axé Jitolú mais uma vez atraiu milhares de baianos e turistas. "A Ladeira do Curuzu tem o metro quadrado mais disputado por fotógrafos e cinegrafistas brasileiros e estrangeiros, no sábado de Carnaval", assinalou o secretário Nelson Pelegrino.

 

O governador Rui Costa esteve presente à cerimônia que marcou o início do cortejo. A yalorixá Hildelice Benta assoprou pó de pemba para abrir os caminhos e atrair bons fluidos durante o desfile na avenida. A Deusa do Ébano (Rainha do Ilê), que este ano é Larissa Oliveira, 22 anos, esbanjou beleza e simpatia.