O Governo da Bahia dá seguimento ao Plano de Segurança Alimentar e Nutricional que tem como objetivo tornar o estado referência em soberania alimentar. Após capacitar 80 técnicos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), estão sendo capacitados, nesta semana, 176 Agentes Comunitários Rurais (ACRs), que atendem beneficiários do projeto Bahia Produtiva, sobre a importância da alimentação saudável, valorizando os alimentos da biodiversidade.
A ação é uma estratégia do Bahia Produtiva, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), financiado pelo Banco Mundial, em parceria com a VP-Centro de Nutrição Funcional, para aumentar a diversidade alimentar dos agricultores por meio de consumo de alimentos da biodiversidade e das Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc).
Nesta segunda-feira (21) e terça-feira (22), a capacitação foi realizada em Amélia Rodrigues, com ACRs dos Territórios Metropolitano, Portal Sertão, Bacia do Jacuípe, Recôncavo, Litoral Norte e Agreste Baiano, Sisal e Piemonte do Paraguaçu. Na quarta-feira (23) e quinta-feira (24), a capacitação será no município de Juazeiro, com os territórios de Itaparica, Sertão do São Francisco, Piemonte Norte do Itapicuru, Piemonte da Diamantina e Semiárido Nordeste II.
De acordo com a coordenadora de Monitoramento e Avaliação do Bahia Produtiva, Egla Costa, os agentes comunitários serão multiplicadores de conhecimento na temática de Segurança Alimentar junto às comunidades apoiadas pelo Bahia Produtiva: "Eles vão resgatar e valorizar o consumo de alimentos, tradicionalmente consumidos pelos agricultores familiares".
A nutricionista e diretora da VP, Valéria Paschoal, destaca que esse é um trabalho pioneiro realizado pelo Governo do Estado da Bahia e a VP – Centro de Nutrição Funcional: "Em agosto nós tivemos um treinamento com todos os Aters que têm uma visão técnica e que supervisiona os 27 territórios. Nessa semana, esses jovens é que vão levar todo esse conhecimento para a comunidade em termos de alimentos de alimentos de verdade, não produtos alimentícios, o consumo do alimento do agricultor familiar sem agrotóxicos e o consumo das PANCs, que nascem genuinamente riquíssimas em nutrientes e fotoquímicos".
Saúde e alimentação
A programação contou com a oficina de Saúde e Alimentação, quando foram abordados aspectos dos principais incômodos de doenças e como a alimentação pode ajudar a abrandar as enfermidades, além de uma oficina de metodologias participativas, com técnicas que visam a participação efetiva de diferentes atores, permitindo maior envolvimento e comprometimento com os objetivos das atividades realizadas pelo público capacitado. Houve também uma oficina de culinária, com apresentação de alimentos e preparos culinários tendo como base os elementos da biodiversidade presente na Bahia e uma oficina de plantio de plantas alimentícias não convencionais (PANC).
O ACR Italo Aurélio Reis Rossi, da aldeia indígena de Massacará, em Euclides da Cunha, afirmou que com a capacitação está vendo que é possível introduzir as PANCs no nosso dia a dia: "Venho de uma comunidade tradicional onde muitas das espécies faladas no encontro a gente tem lá, mas a gente não tem o hábito ativo de utilizá-las, então, de alguma forma eu vou tentar passar para os beneficiários que atendo a importância de valorizar mais as riquezas do nosso lugar, da nossa região, e poder ter garantia de soberania alimentar".
A Agente Comunitária Rural Wérica Souza, da comunidade de Pedra D'água, de Quijingue, afirmou que as oficinas tiveram grande importância para aumentar conhecimento: "Esse é um aprendizado que a gente vai levar para a comunidade e transmitir para os agricultores para que eles possam aplicar nas suas propriedades e aumentarem também a variedade em sua alimentação".