Agricultores e agricultoras são reconhecidos pelo trabalho de guarda de sementes crioulas

21/11/2019

A biodiversidade presente na diversidade de milho, feijão, forragem e raízes comestíveis, foram as categorias reconhecidas na solenidade de premiação voltada para guardiões e guardiãs de sementes, que participaram do lançamento do Projeto Sementes Crioulas, realizada na II Feira da Agrobiodiversidade, que aconteceu nesta quarta-feira (20), durante o Semiárido Show, que ocorre no município de Petrolina, em Pernambuco.

As ações de apoio e incentivo aos agricultores familiares que guardam sementes crioulas e preservam raças de animais adaptadassão uma iniciativa da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio do projeto Pró-Semiárido, em parceria com o Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop) e a Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (CPC-BA), com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido.

A premiação foi destinada aos três primeiros colocados de cada categoria. Segundo Paola Cortez, pesquisadora da Embrapa Semiárido, que contribuiu com a organização da feira, este é um espaço de reconhecimento do trabalho dos guardiões e guardiãs de sementes: “Quando a gente faz esse processo de avaliação, a partir do levantamento de toda a biodiversidade que foi trazida para a feira e elabora as categorias, a ideia não é que elas estejam competindo entre si, mas é de valorizar e de instigar aqueles que ainda não têm uma diversidade tão grande, para que possam ter e trazer em outra edição da feira”.

Dona Adelice Pereira, agricultora e guardiã de sementes, da comunidade de Paraíso, município de Jacobina. recebeu a premiação em três categorias. Ela levou para a feira mais de 90 variedades de sementes para trocar, vender e doar: “Tem uns 11 anos que eu comecei a guardar sementes, acho que agora eu tenho umas 200 variedades. Eu guardo todas as sementes porque eu gosto de plantar. Nem imaginei que eu fosse ganhar esses prêmios. Se eu já guardava, agora é que eu não vou deixar perder as sementes. Nem que seja um bocadinho, mas eu vou guardar”.

A prática de guardar sementes crioulas para plantar nos períodos chuvosos é uma tradição no Semiárido. Guardar sementes é uma estratégia de garantia de alimento e renda para as famílias agricultoras, permitindo a perpetuação de diversas espécies de vegetais e animais adaptados ao clima da região: “Desde cedo vejo meus pais trabalhando, guardando sementes e a vida toda eles trabalhavam com sementes. Quando eu saí de casa fiquei com a mesma tradição de guardar as minhas sementes”, explica dona Iracema dos Santos, guardiã de sementes da comunidade de Bonfim, município de Pilão Arcado.

As feiras em que acontecem as trocas de sementes são espaços que permitem que os agricultores e as agricultoras troquem conhecimentos e variedades e são também espaços de incentivo à experimentação como explica Paola Cortez: “A gente entende a feira de sementes como uma ferramenta de manejo comunitário da agrobiodiversidade, isso porque ela traz os guardiões, coloca em diálogo guardiões de comunidades diferentes, que muitas vezes não se conhecem e que numa feira como essa têm a oportunidade de se conhecer e de trocar materiais e conhecimento sobre eles. Ela serve de intercâmbio, de incentivo para os guardiões aumentarem sua biodiversidade, além de ser um instrumento de troca e ampliação do conhecimento sobre os materiais e no caso do projeto, uma das ideias era incentivar esses guardiões para que intensificassem em suas comunidades esse trabalho de guarda das sementes”.



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