Agricultura familiar da Bahia presente no Salon du Chocolat, em Paris

31/10/2015
Cooperativas de agricultores familiares baianos estão participando do maior evento de cacau e chocolate no mundo, expondo amêndoas, nibs, liquor e chocolates, produzidos no estado. O objetivo é negociar contratos de exportação com empresas do setor, que visitam o Salon du Chocolat, que acontece em Paris, na França e querem comprar os produtos da Bahia.Uma delegação composta pelo diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Wilson Dias, pelo presidente da Cooperativa de Trabalho do Sudoeste da Bahia (COOPERSUBA), Gideon Farias, presidente da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidaria da Bacia do Rio Salgado e Adjadencias de Ibicarai (Copfesba), Osanar Nascimento e pela coordenadora do Colegiado Territorial do Litoral Sul, Angélica da Anunciação está representado a Bahia no evento e apresentando os produtos derivados do cacau."Um foco importante da feira é organizar a participação das cooperativas da região cacaueira no chamado fair trade ou comércio justo", afirma Wilson Dias. Segundo ele, a Bahia tem as experiências da Copealnor do Litoral Norte, com suco de laranja concentrado e da Coopercuc com geleias de umbu, que estão exportando para o comércio justo e que, além das vendas externas e melhores preços, ainda recebem bonificações no final do ano, que equivalem aos lucros sobre as vendas dos produtos exportados. “Por isso, queremos, agora, incluir as cooperativas que beneficiam o cacau para receberem este mesmo tratamento justo", conclui.Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que na Bahia, são 35 mil agricultores familiares, distribuídos em de seis Territórios de Identidade, produzindo cacau em uma área equivalente a 520 mil hectares.Na última sexta-feira (30), os representantes da Bahia tiveram rodadas de negócio com as empresas promotoras de vendas Ethiquable, Max Avelar e Tonys. As rodadas foram conduzidas pelo especialista em comércio justo, Cristhophe Eberhart e teve por objetivo estabelecer uma parceria comercial com uma rede de 4.000 supermercados da Franca, Holanda e Bélgica.Para viabilizar a venda de chocolate das cooperativas da Bahia para o mercado europeu, até o final deste ano, as cooperativas baianas buscarão a certificação orgânica da Ecosert - certificadora de reconhecimento internacional, que tem sede no Brasil, e já ficou acordado que, em junho de 2016, o próprio Cristhophe Eberhart visitará a Bahia para conhecer a região e organizar o processo de exportação do cacau da Bahia. Ele considera o mercado baiano é muito promissor e afirmou que o chocolate da Bahia tem sabor característico e excelente aceitação.A Ethiquable já apoia a comercialização de amêndoas dos agricultores do Haiti, Peru e Nicarágua. Atualmente, o preço pago pelo cacau dessas cooperativas, nas regras do comércio justo, chega a U$ 4.500,00 por tonelada, enquanto os agricultores baianos só conseguem vender, por enquanto, por U$ 2.600,00.Neste sábado (31), a delegação baiana visitou uma rede de supermercados e receberam uma equipe da empresa belga Gent, que explicaram as normas deles para receber os produtos das cooperativas baianas.Na próxima segunda-feira (2), haverá uma nova negociação com mais de 100 fabricantes de chocolates europeus na embaixada brasileira na França. "Esperamos sair daqui com alguns contratos de vendas definidos e sabendo o que precisaremos fazer para melhorar os nossos produtos para alcançar os compradores de fora do Brasil", ressaltou Osanar Nascimento.A primeira fábrica de chocolate foi implantada na Bahia, com o apoio da CAR, em 2010 e atualmente vende os produtos da marca Bahia Cacau, apenas, no mercado regional."O grande apelo da Bahia nesta feira é o diferencial do produto, que é o cacau produzido debaixo da Mata Atlântica, sistema único no mundo conhecido como cabruca, que garante a conservação da floresta, em meio ao cultivo de uma cultura econômica" avalia Angélica da Anunciação.Além da Bahia, participam também do evento representantes do estado do Pará. No total, a delegação brasileira é composta por 15 técnicos e agricultores. O Salão Internacional do Chocolate teve início no último dia 28 de outubro e segue até 01 de novembro.

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