Nos dias 02 e 03 de setembro, as equipes técnicas ligadas à ação de Sementes Crioulas do Pró-Semiárido participaram de formação virtual, para tratar dos avanços do projeto na preservação da agrobiodiversidade no Semiárido baiano. No encontro foram apresentados os diagnósticos em relação à diversidade e a capacidade de adaptação de espécies animais e vegetais, e o levantamento das famílias guardiães. Foram apresentados também exemplos de boas práticas de famílias agricultoras na preservação e disseminação das sementes crioulas, após a Assessoria Técnica Contínua (ATC) oferecida pelo projeto.
O evento foi organizado pela Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (CPC) e pelo Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), organizações parceiras do Pró-Semiárido. Ao falar da importância do resgate e preservação das sementes crioulas para a soberania alimentar camponesa, o dirigente do MPA, Leomárcio Araújo, traçou um panorama histórico, analisando o impacto da industrialização do alimento, processo que ‘encurralou o pequeno agricultor’, já que para ter acesso ao crédito, este teria que adaptar-se às regras criadas para atender à lógica da indústria, o que inviabilizava a sua produção.
O fortalecimento da produção e armazenamento das sementes crioulas no Semiárido da Bahia é uma das ações do Pró-Semiárido, no sentido de assegurar segurança alimentar e nutricional para as famílias agricultoras. O projeto é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio de acordo de empréstimo feito entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).
“É fundamental que nossas equipes conheçam esse histórico para que compreendam a luta da agroecologia, e que esse tema é de todos, de quem está no campo e na cidade. A lógica do ‘agronegocinho’ ainda confunde agricultores e agricultoras e os nossos técnicos. Precisamos disseminar esse entendimento e provar para as famílias agricultoras que elas são capazes de produzir com autonomia e qualidade”, afirmou o subcoordenador do capital produtivo, Carlos Henrique Ramos.
Após conhecer a realidade das famílias guardiães e dos bancos de sementes crioulas nos municípios assistidos pelo Pró-Semiárido, o próximo passo será a implantação de ensaios e canteiros da agrobiodiversidade, com a retomada gradativa das atividades de campo. Esses espaços servirão como campo de experimentação para o cultivo e multiplicação de espécies que estão em risco de extinção, bem como plantas medicinais, aromáticas, arbóreas e semi-perenes.
Nesse contexto, o subcoordenador ressaltou a importância de se observar o Protocolo de Segurança emitido pelo projeto, para a preservação da segurança das equipes e participantes do projeto durante a pandemia.
“Estamos trabalhando para que a ATC seja muito mais conectada com outras ações do projeto, como a do recaatingamento, o Lume, com a certificação orgânica, com sementes crioulas, e que não seja um trabalho isolado. É preciso levar isso para os territórios que não têm um trabalho com sementes mais efetivo. Para isso, estamos tendo todas as condições. A gente está tendo esse momento formativo de sementes, as rodas de aprendizagem, os agricultores e as agricultoras que fazem experiências, os guardiões e as guardiãs de sementes, e experimentadores e experimentadoras. Então, a gente tem que beber dessas fontes todas e juntar tudo isso para fortalecer o trabalho de ATC”, afirmou Ramos.
Participaram da formação, além das equipes das Unidades de Gestão de Projetos (UGP) dos municípios de Jacobina e Senhor do Bonfim, a pesquisadora da Embrapa, Paola Cortez, o técnico produtivo da UGP Juazeiro, Victor Leonam, e técnicos das organizações não governamentais parceiras: Associação de Pequenos Produtores de Jaboticaba (AAPJ), Instituto de Desenvolvimento Social e Agrário do Semiárido (Idesa), Associação Regional dos Grupos Solidários de Geração de Renda (Aresol), Associação de Assistência Técnica e Assessoria aos Trabalhadores Rurais e Movimentos Populares (Cactus), Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI) e da Cooperativa de Consultoria, Pesquisa e Serviços de Apoio ao Desenvolvimento Rural Sustentável (Coopser).