Assistência técnica aliada ao uso de tecnologias viabiliza produção da agricultura familiar

22/07/2020

Em toda a Bahia, são inúmeras as experiências bem-sucedidas, desenvolvidas em propriedades de agricultores e agricultoras familiares, a partir da prestação de assistência técnica extensão rural (Ater) ofertada pelo governo estadual. Em diferentes climas e biomas, esse acompanhamento técnico vem qualificando a vida no campo, valorizando os saberes tradicionais, buscando alternativas que reduzem custos e viabilizam o trabalho no campo, com ampliação da produção, aumento da produtividade e, consequentemente, da renda dessas famílias.

A Ater, em articulação com outras políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, tem o objetivo de promover a emancipação econômica e social desse importante segmento, responsável pela produção de cerca de 80% dos alimentos que chegam às mesas dos baianos. Na Bahia, a oferta de Ater é executada e coordenada pela Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

O serviço é executado em três modalidades: Direta, pelos técnicos da Bahiater; por técnicos de organizações sociais contratadas, por meio de Chamadas Públicas; ou ainda por meio de convênios com prefeituras e consórcios públicos, com o apoio para estruturar a ação nos municípios baianos. Atualmente, cerca de 81 mil famílias de agricultores recebem o serviço de Ater.

Com o serviço, são desenvolvidas experiências como a da produção de milho hidropônico, com resíduo de sisal, que tem se mostrado uma das alternativas na alimentação de aves, economicamente viáveis, realizada na propriedade do agricultor familiar João Oliveira, na comunidade de Pinhões, em São Domingos, no Território de Identidade Sisal. A iniciativa integra o serviço de Ater prestado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (Fundação APAEB), a partir de contrato realizado via Chamada Pública com a Bahiater/SDR.

O agricultor João Oliveira, conhecido também como João Moisés, afirma que a experiência tem sido muito proveitosa. Ele observa que vê a avicultura como uma alternativa valiosa na geração de renda para sua família e que pretende ampliar a utilização dos canteiros de milho hidropônico em sua Unidade Produtiva Familiar: “É uma economia grande na alimentação. Depois do plantio, só preciso regar e o gasto de água é muito pouco. Fui contemplado com um aviário em outro projeto e com certeza irei fazer vários destes canteiros para ajudar na alimentação das galinhas”.

No canteiro experimental, foram utilizados três quilos de milho que, em aproximadamente 15 dias, renderam 56 quilos. O custo de produção nesse canteiro saiu a R$ 0,07 por quilo, o que representa uma significativa redução de custos com ração. Com um canteiro nessas dimensões é possível complementar a alimentação de 25 galinhas por um período de aproximadamente 10 dias: “Elas comem não apenas as folhas do milho, mas as sementes e até o resíduo. Não desperdiçam nada. É um alimento altamente palatável e nutritivo”, destacou Josenívea, técnica em Agropecuária da Fundação APAEB, que orientou a experiência.

Ela explica que, em 1,2 m², o agricultor fez um canteiro de milho hidropônico composto por três camadas de resíduo de sisal curtido, que servem de substrato, com duas camadas de milho: “A utilização do resíduo de sisal como substrato no processo de hidroponização é muito valioso, pois, por ser rico em nutrientes, ele dispensa a aplicação de soluções nutritivas nos canteiros, como comumente é feito neste tipo de sistema de produção”.

Reserva alimentar do rebanho

Outra experiência bem-sucedida, orientada pela Fundação APAEB, é o engajamento de jovens, no trabalho realizado nas Unidades de Produção Familiar, a exemplo da experiência que vem transformando a vida de jovens como Alisson Lima, da comunidade de Santa Rita de Cássia, no município de Valente.

Filho de agricultores familiares e com apenas 18 anos, Alisson, a partir do trabalho desenvolvido com a assistência técnica, participou de diversas capacitações, que incentivaram novas práticas produtivas. Por meio dessas capacitações, o jovem se cadastrou e obteve a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) Jovem. Com o documento, o incentivo da família e o apoio técnico, ele acessou o crédito rural e iniciou o seu negócio com caprinos de leite.

"Desde pequeno eu ia para a roça do meu avô e gostava de ajudar ele na lida com as cabras. Foi daí que decidi que ia investir nessa produção. A Ater ofertada por meio da Fundação APAEB veio como uma oportunidade para que eu conseguisse dar o pontapé inicial, tendo orientação técnica para o manejo e viabilidade no acesso ao recurso, graças à DAP Jovem, que consegui fazer", ressalta Alisson.

Alisson Lima conta que os recursos foram aplicados na aquisição de caprinos, em ração e no plantio de palma. Atualmente, ele possui mais de 20 animais e fornece leite a um laticínio de leite de cabra: "Este recurso tem servido para melhorar a estrutura da propriedade, aperfeiçoar a produção e cobrir as despesas com os meus estudos", declara Alisson, que é estudante do Curso de Técnico em Agropecuária no Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido, localizado no município de São Domingos.



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