10/06/2017
Essa foi uma semana de muita troca de experiências entre baianos e moçambicanos. De segunda-feira (05) até sexta-feira (09), uma Missão, composta por agricultores e representantes dos Governos de Moçambique e Bahia e do Banco Interamericano Reconstrução de Desenvolvimento (Bird/Banco Mundial), conheceu algumas políticas públicas de desenvolvimento e redução da pobreza rural, promovidas no Território Litoral Sul e Baixo Sul da Bahia.Foram visitados empreendimentos como a Cooperativa de Palmito (Coopalm), no município de Camamu, a Cooperativa da Agricultura Familiar, com agroindústria de processamento de cacau, em Ibicaraí, o assentamento Terra Vista, em Arataca, e o Instituto Biofábrica de Cacau, em Ilhéus.A especialista sênior em Desenvolvimento Rural do Banco Mundial, Fátima Amazonas, explicou que a missão foi programada em sequência a um memorando de cooperação, assinado recentemente pelo governo brasileiro, o de Moçambique e o Banco Mundial. “O Brasil é uma referência para vários países da África, da América Latina e de outros continentes, tanto com os recursos naturais, da preservação e da utilização de forma sustentável dos mesmos, quanto da inclusão dos agricultores familiares, em atividades produtivas que são sustentáveis, e que também são geradores de renda”.Fátima informou também que, em Moçambique, será implantado o Sustenta, projeto semelhante ao projeto Bahia Produtiva, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).“Há semelhanças entre o Bahia Produtiva e o Sustenta, pois são voltados para um público de agricultores familiares. O Brasil já vem desenvolvendo há mais tempo políticas para inclusão do agricultor familiar e também políticas de aquisição de alimentos. São esses exemplos que as equipes de Moçambique vieram buscar na Bahia”.Segundo o representante do Banco Mundial em Moçambique, André Aquino, o projeto Sustenta, lançado pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural de Moçambique, busca uma nova abordagem de apoio ao desenvolvimento rural. “O projeto será voltado para agricultores emergentes, que já tenham alguma conexão com os mercados e capacidade de se relacionar com pequenos produtores familiares. Isso é inovador em um país que não tem a rede de apoio, como o tipo de cooperativas e associações, que o Brasil possui”.Para o coordenador do Bahia Produtiva, Fernando Cabral, o intercâmbio entre Brasil e Moçambique foi importante para os dois países. “Tiramos várias lições, uma delas é que agricultores familiares podem ter acesso a mercados mais competitivos, como é o caso da Coopag, de Várzea Nova, que vende seus produtos para outros estados brasileiros. Nossos desafios também são semelhantes, mas conseguimos conciliar preservação ambiental com desenvolvimento e geração de renda, e os exemplos que vimos no Litoral Sul comprovam isso”.Segundo a diretora nacional de Planificação e Cooperação do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, do Governo de Moçambique, Yolanda Gonçalves, as lições aprendidas na Bahia foram muitas, mas a principal é como a Bahia concilia o desenvolvimento rural e o sustentável, com os aspectos de conservação. “Para Moçambique, em que 68% da população é rural, é um grande desafio promover a riqueza no nosso país sem degradar os nossos recursos naturais. Foi muito interessante ver como as comunidades aplicam a agricultura de conservação, mantendo sempre a gestão sustentável”.De acordo com produtor e presidente de uma cooperativa de Zambeze, em Moçambique, Armando Afonso, a conservação da natureza e a gestão das cooperativas foram destaques observados nas comunidades visitadas. “Vou levar a mensagem aos meus associados, que aprendam a produzir sem fazer queimadas. Cortamos as árvores, queimamos tudo e estamos deixando a nossa terra nua querendo produzir nela, sem nos dar conta do quanto estamos errando”.Na Missão, o Brasil foi representado por técnicos do Bahia Produtiva, da SDR, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), e Moçambique, por membros do Governo, do setor privado, agricultores, produtores e um presidente de um Conselho Municipal, que no Brasil, corresponde ao prefeito de municípios.