Comunidades Quilombolas da Chapada Diamantina se reúnem em Seabra

29/11/2013

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"Vez e voz dos Quilombolas" e "Educação Cidadania e Igualdade: Caminhando juntas por um mundo mais justo", esses foram o tema e o lema do Encontro de Comunidades Quilombolas do Território da Chapada Diamantina que reuniu cerca de 250 representantes de 40 comunidades remanescentes de quilombos dos municípios de Seabra, Piatã, Mucugê, Boninal, Palmeiras, Ibitiara, Lençóis, Bonito e Souto Soares, nesta quinta (28), no Auditório da UNEB, em Seabra, localizada a 456 quilômetros da capital baiana.A iniciativa, além de integrar as atividades do mês da Consciência Negra, faz parte das ações do programa estadual Vida Melhor, através do Convênio 793/12 de fortalecimento institucional e organização das comunidades quilombolas. O acordo foi firmado com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), através do Projeto de Inclusão de Comunidades Remanescentes de Quilombos/Projeto Quilombolas e o Conselho Estadual das Comunidades Quilombolas da Bahia (CEAQ).O evento contou com a participação de representantes da CAR, CEAQ, Conselho Territorial das Comunidades Quilombolas, Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e outras autoridades e lideranças locais.O presidente do Conselho Estadual Quilombola, João Evangelista, falou sobre a importância desses encontros para a construção de um plano de ação para o ano de 2014, pautado pelas propostas elaboradas pelas comunidades com a participação dos representantes das entidades participantes.Para Evangelista, a participação das diversas instituições presentes podem contribuir para o esclarecimento das dúvidas das lideranças das comunidades e consequentemente melhorar a vida dos quilombolas. “A junção com associações, movimentos sociais, órgãos públicos e instituições de ensino, é indispensável para que as comunidades tenham o suporte técnico necessário”, salientou.Segundo uma das líderes da Comunidade Olhos D’Água do Basílio, do município de Seabra, Jaci Maria dos Santos, esses encontros são sempre uma oportunidade para que as comunidades possam tirar as dúvidas existentes. “Eu achei bom o encontro porque nós estamos conseguindo as respostas para nossas dúvidas”, disse.De acordo com um dos líderes da Comunidade de Baixão Velho, o encontro é um espaço de união entre as comunidades que lutam por melhorias. “Nessa caminhada quilombola momentos como esse são importantes para compartilharmos informações, trocar experiências e nos unirmos com outras comunidades, para juntos lutarmos pelo acesso às políticas públicas”, declarou.A programação do evento, que teve seu momento cultural com as apresentações do grupo de dança Pérola Negra, do município de Souto Soares e do Reisado de Cachoeira, de Seabra, contou com as exposições de Gilvan Barbosa, mestre em Crítica Cultural pela UNEB, professor de história, especialista em história política e sócio fundador da União das Comunidades Quilombolas de Alagoinhas e Aramari e de Euclides Bittencourt, mestre em Engenharia da Produção, professor de Direito e Administração, integrante do Instituto Steve Biko e diretor executivo de Etnia, Raça e Diversidade da Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Bahia (Aduneb).Os professores e mestres levantaram questões como a posse e regularização dos territórios quilombolas, contexto histórico dos quilombos, diferenças entre quilombagem e quilombismo, identidade quilombola e a luta dos negros antes e depois da lei Áurea. Outros temas abordados foram a falta de representação de negros no poder público, Estatuto da Igualdade Racial, Economia Solidária e a necessidade de desenvolver a cultura do associativismo e cooperativismo.Durante o encontro foram realizadas quatro oficinas temáticas 1. Regularização dos Territórios, 2. Estatuto da Igualdade Racial, 3. Violência contra a mulher e 4. Juventude e participação. Como resultados das palestras e oficinas os participantes apresentaram demandas das comunidades referentes ao acesso às políticas públicas como inclusão digital, saúde, infraestrutura, formação de professores e incentivo à educação continuada de jovens, além de pré-vestibular para jovens quilombolas e outros jovens da zona rural.Foram apresentadas também como necessidades das comunidades o apoio a manifestações culturais e construção de mais centros multiuso para cultura, espaço de convivência e biblioteca, projetos de geração de emprego e renda, acesso aos meios de comunicação, ampla divulgação da lei Maria da Penha, através da promoção de encontros com mulheres nas próprias comunidades , além de trabalhar a autoestima dessas mulheres, entre outras demandas.De acordo com o supervisor de campo do Projeto Quilombolas, Marinaldo Carvalho, o convênio atende comunidades quilombolas de oito territórios baianos e tem como meta, não só fortalecer e organizar essas instituições, mas prepará-las para gerir, no futuro, projetos produtivos como o de artesanato feito de fibras vegetais de bananeira, taboa ou ouricuri, já existentes, além de descobrir novas potencialidades que possam gerar a inclusão socioprodutiva dessas comunidades.“Entre as ações do projeto está a organização de cursos que contemplam toda a cadeia produtiva de matérias primas, desde a retirada do caule até o produto final, de maneira sustentável. As aulas são ministradas por membros das próprias comunidades visando a geração de renda. São realizadas também parcerias com outras instituições como o Instituto Mauá, que é responsável pela parte de gestão e escoamento da produção”, explicou.

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