Comunidades rurais de municípios da Chapada Diamantina, que trabalham na produção e beneficiamento de mandioca, passaram a contar com um novo e diversificado cardápio de produtos. Além dos já tradicionais bolos de aipim e carimã presentes nas festas juninas, as famílias terão a oportunidade de degustar e comercializar outras saborosas iguarias que passaram a ser produzidas a partir dos aprendizados obtidos no Curso de Culinária Derivados de Mandioca.
A capacitação foi promovida pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio do projeto Bahia Produtiva, em parceria com o Centro de Formação e Organização Comunitária (Ceforc), organização prestadora de assistência técnica e extensão rural (ATER) contratada via Bahia Produtiva e o Sebrae.
No curso, ministrado por Cláudia Xavier, do Sebrae, as mulheres tiveram a oportunidade de aprender receitas como Empada de Mandioca, Tapioca Colorida, Biscoito de Chocolate e de Cebola, Petas Saborizadas, Pudim de Mandioca, Aipim Chips, Pão de Queijo de Mandioca, Bombocado de Aipim e Pão de Mandioca.
Jandira lima, presidente da Associação Pau a Pique, no município de Marcionílio Souza, destacou que o curso realizado pela CAR/Bahia Produtiva foi muito importante para a comunidade. “O curso nos qualificou na produção de derivados da mandioca. São sempre bem-vindas essas capacitações, porque cada vez mais valoriza o nosso trabalho e qualifica os nossos produtos. Só tenho a agradecer por essa oportunidade”.
Rozania Oliveira, tesoureira da Associação Cachoeira e Mocambo, localizada em Seabra, destaca que diante das conquistas é momento de agradecer a Deus, ao Governo do Estado e às equipes técnicas da CAR/Bahia Produtiva e Ceforc. “Esse projeto Bahia Produtiva veio mesmo para somar e nos fortalecer. Foi um sonho realizado. Tínhamos muita vontade de conseguir uma cozinha comunitária para ter nossa padaria na comunidade e um lugar para despolpar nossas frutas e nós conseguimos através do projeto Bahia Produtiva, que tem uma importância muito satisfatória dentro da comunidade”.
Rozania explica que, agora que a comunidade está estruturada, estão lutando para acessar outros programas como o de Aquisição de Alimentos (PAA) com produtos como o pão de aipim aprendido no curso, junto com outras iguarias derivadas da mandioca.
“Eu gostei muito do curso, porque aqui o cultivo é forte da mandioca, mas até então só sabíamos tirar a mandioca fazer farinha e tapioca, mas com o curso a gente viu quantas coisas gostosas e saudáveis a gente faz com a mandioca, o aipim. A gente se surpreendeu, teve brigadeiro, panetone, pizza, lasanha, o próprio avoador diferenciado. Foi muito proveitoso e a gente viu que tem ainda muito mais a fazer com a raiz e a casca da mandioca. Só temos a agradecer”, ressaltou Reina Maria dos Santos, presidente da Associação de Morrinhos de Baixo, do município de Souto Soares.
Investimentos em infraestrutura
Por meio do projeto Bahia Produtiva essas organizações receberam investimentos que viabilizaram a estruturação e profissionalização da produção. A Associação Comunitária Rural Pau a Pique recebeu investimento da ordem de R$ 689,3 mil que está beneficiando 29 famílias, aplicado em ações que incluem reforma e ampliação de unidade de beneficiamento de mandioca, aquisição de equipamentos, a exemplo de pingadeira semiautomática para biscoito de polvilho, móveis, utensílios e equipamentos de proteção individual.
Na Associação Quilombola dos Povoados Cachoeira e Mocambo foram beneficiadas 24 famílias, a partir de investimento da ordem de R$ 493,6 mil. O projeto contemplou reforma e ampliação de unidade de beneficiamento de mandioca e adequação da unidade de polpa de fruta, aquisição de máquinas e equipamentos para a produção de derivados da mandioca e para beneficiamento de polpa de fruta, a exemplo da despolpadeira.
Já a ação realizada na Associação Comunitária do povoado de Morrinhos de Baixo beneficiou diretamente 25 famílias, com investimento da ordem de R$ 361,8 mil na aquisição de equipamentos para a produção de derivados da mandioca e para a fabricação de polpas de fruta, além da implantação de uma câmara fria para armazenagem das polpas.
O Bahia Produtiva é um projeto executado pela CAR, empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Banco Mundial.