Encontro com técnicos possibilita reflexão sobre resultados de análise econômica e qualitativa de famílias apoiadas pelo Pró-Semiárido

18/02/2020

Entre os dias 12 e 14 deste mês, técnicos e técnicas do Pró-Semiárido estiveram reunidos para refletir sobre os primeiros resultados da aplicação do LUME Avaliação Econômica-Ecológica de Agroecossistemas de, pelo menos, 28 sistemas produtivos familiares acompanhados pelo projeto e avaliados com o uso da metodologia. A atividade foi dividida em momentos de visita a campo e espaços de reunião para apresentação, esclarecimento de dúvidas e avaliação dos dados.

A iniciativa é da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio do projeto Pró-Semiárido, que tem financiamento do Fundo Internacional Agrícola (Fida), conta com a parceria da organização não governamental AS-PTA agricultura familiar e agroecologia (instituição que desenvolveu o método).

“Está sendo muito positivo o contato com os técnicos. A gente tem feito o exercício de tentar compreender os impactos das inovações nas rendas das famílias. Este é um processo bastante desafiador porque a economia da agricultura camponesa é muito complexa, e perceber os impactos de um projeto como o Pró-Semiárido é desafiador do ponto de vista metodológico, mas o LUME está mostrando impactos na maior autonomia das famílias e no aumento da biodiversidade”, avalia Denis Monteiro, que faz parte da coordenação pedagógica AS-PTA.

O evento aconteceu simultaneamente em Remanso, Senhor do Bonfim e Jacobina com visitas a experiências em municípios de abrangência do projeto nos territórios de identidade Sertão do São Francisco, Piemonte Norte do Itapicuru e Piemonte da Diamantina. A agricultora Luzia Rodrigues mora na comunidade Fartura, em Sento Sé. O agroecossistema dela é uma das experiências selecionadas para o estudo e, na sua opinião, a análise vai contribuir para o reconhecimento do seu trabalho. “Eu acredito que isso não é em vão e sei que os resultados vão ser coisa boa para mim e que a minha experiência vai ser divulgada lá fora”, afirma Luzia.

Helenita Oliveira Santos, agricultora da comunidade Várzea Dantas, em Caém, resume a sua experiência dizendo que “passou a enxergar o que nunca enxergou”, ao relatar a dinâmica atual da propriedade familiar, onde um subsistema fornece insumos para outro. Com o estudo é feito um mapeamento de tudo que é produzido e atribuído valor a cada atividade. “Um ajuda o outro, e a diferença é que passamos a dar valor ao que não gastamos para manter a roça. Se a gente não produzisse aqui, teríamos que ir na cidade comprar. Tudo é dinheiro!”, comemorou.

A agricultora lembrou que essa nova perspectiva sobre o seu trabalho, só foi possível a partir da chegada das tecnologias adquiridas por meio do Pró-Semiárido, aliadas à Assistência Técnica Continuada (ATC) oferecida pelo projeto: “Tudo começou com o canteiro telado e a cisterna, hoje a minha casa é uma fábrica de biscoitos que eu produzo com minhas vizinhas com a goma da mandioca. Agora, esse estudo fez a gente enxergar melhor o resultado de tudo isso. Nós aprendemos coisa demais com o projeto!”.

Emocionada, Helenita diz que, maior do que qualquer conquista financeira, foi o fato de os filhos terem desistido de abandonar o campo para ir morar em São Paulo. Hoje, sustentam suas famílias a partir do que produzem na propriedade da família: “Ali na casa de William, que casou agora em janeiro, tem é cimento financiado pelo meu quintal, viu?!”.



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