Encontro Étnico-racial discute valorização da ancestralidade, saberes e identidade do povo do campo

17/01/2020

Agricultores e agricultoras familiares de comunidades rurais dos municípios de Quixabeira e Caém receberam, nesta terça-feira (14) e quarta-feira (15), a visita de facilitadoras da Cáritas Brasileira, organização ligada à Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB), nos Encontros Étnicos-raciais, que discutiram a importância da valorização das raízes ancestrais do povo brasileiro e nordestino, suas características e modo de vida. A atividade foi promovida pelo Governo do Estado, por meio do Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a partir de acordo de empréstimo com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

A mestre em Ciências Sociais Flávia Palha conduziu a atividade e convidou os agricultores e agricultoras a refletirem sobre o que é ser e fazer parte de uma comunidade rural: “É importante valorizar as características, os saberes e as identidades locais”. A importância de honrar a ancestralidade também foi destacada: “Precisamos lembrar dos que vieram antes de nós e que permanecem vivos nas nossas práticas e modo de vida. Precisamos produzir, crescer, ganhar dinheiro, mas com hombridade e caráter. Não podemos esquecer da nossa luta de dor e resistência e de quem nós somos”, frisou.

O agricultor Enésio Souza, da comunidade Pimenteira, do município de Quixabeira, falou da importância do encontro e dos próximos passos para buscar melhorias para a localidade: “Essas reuniões são muito importantes. Aqui nós vamos reativar a nossa associação para buscar nossos direitos e melhorar as nossas condições. Só temos a agradecer por esse momento”.

Ao falar da herança ancestral ligada à capacidade produtiva do Semiárido, de luta e resistência do sertanejo, e do momento atual vivido pela agricultura familiar na Bahia, Flávia Palha incentivou os agricultores e agricultoras a pensarem criativamente e a buscarem os meios para ganhar dinheiro e apresentou, como exemplo, as lojas colaborativas e as feiras de produtos orgânicos instaladas nos grandes centros, que têm se mostrado como alternativas viáveis para dar saída às produções vindas do campo: “O fruto do trabalho da comunidade tem grande valor. As pessoas hoje estão buscando produtos com mais qualidade, livres de agrotóxicos e produzidos artesanalmente”.

O assessor de Políticas Públicas do Pró-Semiárido Izaías Reis lembrou que no Brasil ainda há pessoas sendo escravizadas: “A mídia fala em ‘condição análoga à escravidão’, mas o que ainda temos são pessoas trabalhando em condições sub-humanas”.

A desigualdade de gênero no campo também foi discutida. Tipos de violência e dados sobre o feminicídio no país foram apresentados, assim como formas de combate ao desrespeito e à valorização da mulher: “É preciso construir caminhos de comunhão, empatia e diálogo”, ressaltou Flávia.

Também participaram do evento Jéssica Soares, estudante do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade, da Universidade Federal da Bahia (NEIM/UFBA), articuladora de pastorais sociais da Arquidiocese de Salvador e integrante do Grupo de Trabalho de Mulheres da Cáritas; Deyse Sayonara, técnica do Componente Social do Pró-Semiárido e Izaías Reis, assessor de Políticas Públicas do Pró-Semiárido, que atuam no Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar (Setaf) Piemonte da Diamantina, com sede em Jacobina.



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