A fruticultura de sequeiro, que utiliza espécies frutíferas nativas ou adaptadas ao ambiente do bioma Caatinga, está despontando como alternativa de renda para famílias de estudantes da Escola Família Agrícola (EFA) de Sobradinho, Território de Identidade Sertão do São Francisco, sob gestão da Associação Comunitária Mantenedora da Escola Família Agrícola de Sobradinho (Amefas). Com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), está sendo desenvolvido na unidade, o projeto de implantação de um viveiro com mudas de frutas como o umbu gigante e o maracujá do mato ou maracujá da Caatinga.
Maiara Soares, da comunidade Melancia, município de Pilão Arcado, Território de Identidade Sertão do São Francisco, é uma das estudantes da EFA Sobradinho e destaca que fica feliz em participar do projeto e poder conhecer a riqueza da região em que vive: “Percebemos a grande importância da fruticultura de sequeiro e, por meio desses conhecimentos, somos despertados sobre a necessidade de potencializar os frutos existentes na Caatinga, pois além de fornecerem renda para nós jovens e nossas famílias, estão evitando que os jovens saiam das suas regiões para outras, em busca de sustento para suas famílias. O projeto de fruticultura de sequeiro tem valorizado a conservação do recaatingamento e está nos conscientizando sobre a importância do trabalho coletivo, gerando uma vida digna e sustentável na região”.
O projeto teve início no ano de 2015, a partir da parceria entre a SDR, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e da Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf) e as EFAs ligadas à Rede das Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido (Refaisa), com a implantação de viveiros para a produção de mudas de umbu gigante e maracujá do mato. Foram implantados, também, oito matrizeiros em uma área de 2.500 metros quadrados cada um.
“Os resultados da implantação do projeto apontam uma relevante contribuição dessa experiência na prática pedagógica das EFA’s, ainda que existam fortes desafios, no âmbito da ampliação da produção de mudas, distribuição e implantação dos pomares pelos estudantes”, destacou Tiago Pereira, diretor da Refaisa.
O projeto foi implantado ainda nas EFAs de municípios como os de Monte Santo, Antônio Gonçalves, Itiúba, Ribeira do Pombal e Correntina. A meta era atender 800 beneficiários, incluindo estudantes e egressos das EFAs, de famílias de agricultores familiares. Cada beneficiário recebeu 200 mudas de maracujá do mato, 30 mudas de umbu para plantar em sua área, com a perspectiva de geração de trabalho e renda, bem como preservar as plantas nativas da Caatinga e recuperar áreas em processo de desertificação.
A EFA de Sobradinho foi fundada em 1990, pela União das Associações de Sobradinho e Arredores (Uasa). As EFAs têm como método educativo a Pedagogia da Alternância, que se debruça sobre a realidade concreta dos alunos, das famílias, e do território de abrangência, buscando promover a formação humana e o desenvolvimento socioterritorial, além de estabelecer uma relação com a agricultura familiar e, nessa interlocução, desenvolver a educação e construção de conhecimento em prol da Agroecologia.