09/05/2014
Conhecer experiências do Projeto Gente de Valor. Esse foi o principal objetivo do intercâmbio que está sendo realizado até hoje (09), pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), com a parceria do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), através do Programa Gestão do Conhecimento em Zonas Semiáridas do Nordeste brasileiro (SEMEAR), implementado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e o FIDA, com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).Durante a atividade foram realizadas reuniões técnicas e visitas nas comunidades rurais beneficiadas pelo projeto Gente de Valor. Esses encontros possibilitaram o conhecimento de aspectos como a seleção das comunidades beneficiadas, a focalização nos grupos sociais mais pobres, o fortalecimento de organizações da população rural,ordenamento territorial, elaboração de planos de desenvolvimento, além de projetos e procedimentos técnicos e gerenciais prestados às associações comunitárias e cooperativas.O intercâmbio viabilizou um compartilhamento de experiências e inovações, no âmbito das ações executadas, gerando informações para os novos projetos financiados pelo FIDA, como o Paulo Freire, do Ceará, o Projeto para o Cariri, Seridó e Curimataú (PROCASE), da Paraíba, Mais Viver Semiárido, do Piauí e Dom Távora, de Sergipe.De acordo com o Coordenador Geral do Projeto Dom Távora, Eduardo Barreto, o projeto sergipano também tem como meta o desenvolvimento do meio rural no estado. “Conhecer experiências de comunidades beneficiadas é importante para perceber a importância de ações como capacitação, participação das mulheres e práticas de associativismo e cooperativismo. Nós viemos aqui para aprender e conseguimos isso. Enxergamos que é possível às associações, que passaram por um período de capacitação, tocar os projetos”, ressaltou.De acordo com o oficial de programas do Escritório do FIDA no Brasil, Hardi Vieira, esse evento possibilitou o intercâmbio de projetos do FIDA no país, para que os técnicos dos novos projetos conheçam experiências exitosas e que já são uma referência, desde de 1998, com o Pró-Gavião, projeto que antecedeu o Gente de Valor. “Essa ação é interessante para que os outros projetos, que estão começando, possam aprender e tirar lições das boas práticas de um projeto consolidado como é o Gente de Valor”, disse.“O intercâmbio viabilizou o contato entre os gestores de todos os projetos financiados atualmente pelo FIDA, e possibilitou a sistematização de uma linha de execução e operação das atividades realizadas por esses projetos, evitando o isolamento entre eles”, completou.As visitas a comunidades como a dos índios Kiriris, na Aldeia Marcação, no município de Banzaê, foi um dos pontos fortes dessa iniciativa. Na comunidade, o grupo conheceu a trajetória dos convênios firmados entre o Gente de Valor e a Associação Comunitária Kiriri. Entre as ações foram apresentadas a Unidade de Beneficiamento de Mandioca e a Fábrica de Biscoitos, que estão em pleno funcionamento, além dos quintais produtivos, equipamento motoforrageiro, biodigestor, capacitações e assessoramento técnico e a entrega dos kits veterinário, de apicultura, de feira e audiovisual.Para a associada Dilma de Jesus Santos, que produz os biscoitos e outros derivados da mandioca, nesses dois anos, depois da implantação dos projetos, aconteceram muitas mudanças. “A nossa vida mudou bastante. Eu não tinha emprego fixo e nem renda própria, antes ajudava meus pais, e depois o marido, na roça e nos trabalhos em casa, agora eu trabalho e recebo o pagamento pelo meu trabalho na fábrica, e a tendência é melhorar ainda mais”, salientou. Segundo o produtor rural, Dionísio Jesus Batista, a Unidade de Beneficiamento de Mandioca já está beneficiando os índios e também os não índios. “Essa obra trouxe desenvolvimento e melhorias para toda a comunidade”, afirmou.Outro projeto conhecido foi o do Assentamento Barrocão, localizado no município de Ribeira do Amparo. No Assentamento, também chamado de Comunidade de Deus, os visitantes foram acolhidos com música e dinâmica de grupo e puderam compartilhar experiências em convênios firmados e executados como o da construção de uma Unidade de Beneficiamento de Mel, fortalecimento das cadeias produtivas do mel, caju, mandioca e da criação de pequenos animais, entre outras ações.Na Comunidade de Deus foram implementados ainda viveiros de mudas, ensaios agroecológicos, fogões ecológicos e quintais produtivos, que proporcionaram uma mudança de hábitos, especialmente os relacionados à geração de renda, preservação ambiental e alimentação saudável, entre outros benefícios. Outras ações desenvolvidas na comunidade, como as capacitações e cursos, possibilitaram também o acesso a outras políticas públicas. Os associados destacaram que depois que o Projeto Gente de Valor chegou ao assentamento, não só as 29 famílias que residem lá foram beneficiadas com os diversos convênios firmados, mas dezenas de famílias de comunidades vizinhas também foram atendidas.Ainda em Ribeira do Amparo, o grupo conheceu a história e as ações desenvolvidas pelo Grupo de Artesanato do Unidos do BRAR, integrante da Associação Comunitária Cultural do Bariri, Rio Seco, Alto e Rio Quente de Cima (ACBRAR). Os associados, que também foram beneficiados com diversos convênios, começaram as atividades, com o projeto Gente de Valor, a partir da construção de um plano de desenvolvimento, onde toda a comunidade foi ouvida e a partir desse plano manifestaram interesse em projetos como os de quintais produtivos, hortas, cisternas de produção, canteiros econômicos e manejo de pequenas criações, entre outras ações.Segundo o coordenador do Gente de Valor, Cesar Maynart, a proposta é que o compartilhamento de conhecimentos úteis, gerados por meio das práticas desses projetos, possam contribuir para novos processos de aprendizagem e para o fortalecimento das capacidades institucionais, melhorando iniciativas e gestão de outros projetos semelhantes no nordeste do Brasil. “Espera-se que o intercâmbio ajude na criação de uma dinâmica entre os projetos apoiados pelo FIDA no nordeste, de modo a potencializar sinergias e troca de conhecimento”, colocou.A iniciativa contou ainda com visitas à Central de Cooperativas de Mel, em Ribeira do Pombal, e a ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da Caprinocultura, Barreiro para dessendentação animal, cisternas de produção e fogões ecoeficientes, entre outros projetos, no subterritório de Caroá, localizado no município de Macururé,.O Gente de Valor vem desenvolvendo ações em 34 municípios da região semiárida do estado, desde 2007, nas áreas de segurança hídrica, desenvolvimento produtivo, assistência técnica e capacitação. Estão entre os objetivos do projeto a promoção do processo de desenvolvimento do capital humano e social, cultural, produtivo e econômico, ambientalmente sustentável e a melhoria das condições de vida da população rural pobre do semiárido. O projeto apoia ainda as cadeias produtivas do umbu, caju, Ouricuri, pequenas criações, apicultura e horticultura, beneficiando 9.416 famílias de agricultores familiares de 282 comunidades rurais.[gallery ids="4367,4433,4434,4435,4436,4437,4438,4439,4440,4441,4442,4443,4444,4445,4446,4447,4448,4449,4450,4451,4452,4453,4454,4455,4456,4457,4458,4459,4460,4461,4462,4463,4464,4465,4466"]