“Julho das Pretas” comemora o dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha

21/07/2020

No território de identidade Piemonte Norte do Itapicuru diversas entidades governamentais e não-governamentais se juntaram para organizar uma semana de programação para lembrar o 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Latinoamericana e Caribenha. O evento batizado de Julho das Pretas, envolve uma semana de mobilizações que lembram a importância da data que marca a importância histórica e cultural da mulher negra do campo e da cidade que vivem no semiárido da Bahia.

A atividade que marcou o inicio da programação do Julho das Pretas, que este ano está em formato virtual por conta da pandemia, foi a live com o tema “Mulher Negra: Trajetória e Legado” que aconteceu na segunda-feira, 20, e contou com a participação de técnicas e beneficiárias do Projeto Pró-Semiárido, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

“O 25 de julho que a gente está celebrando hoje não é apenas uma data de homenagem é uma data que marca a luta das mulheres negras. Ser mulher negra na América Latina, no mundo, no Brasil não é coisa fácil. Nós somos totalmente estigmatizadas, por ser negra, por ser pobre, por ser mulher... quem é dessa região, ainda por ser nordestina. Então é uma carga que pesa na gente, mas a gente estando junto e fazendo o que faz agora, indo à rua e externando nossas insatisfações, impondo respeito a gente consegue mudar esta situação”, afirmou durante a live, Hilta Costa, que mora na comunidade quilombola Lage dos Negros em Campo Formoso.

O evento é uma realização da Câmara Técnica de Mulheres do Território Piemonte Norte do Itapicuru, juntamente com o Colegiado Territorial de Desenvolvimento Sustentável (Codeter), Projeto Pro-Semiárido, Rede Educom Território Pimonte Norte do Itapicuru, Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Instituto Federal da Bahia (IFBA).

Durante a live a quilombola e Agente Comunitária Rural (ACR) do Pró-Semiárido, Aliete Gama, falou sobre o desafio da aceitação de sua identidade. “Eu sou quilombola, filha de agricultora e tenho muito orgulho do que sou. Essa questão de aceitação enquanto mulher negra é um processo que requer muito tempo e, precisamos respeitar o tempo de cada mulher, de cada homem que é negro também. Antes eu não gostava de ser chamada de negra não, gostava de ser chamada de morena. Eu me sentia constrangida quando as pessoas me chamavam de negra, mas isso porque eu não tinha conhecimento da minha identidade e ancestralidade, mas a partir do momento que passei a ter convicção de quem eu sou, de onde eu vim e para onde eu quero ir, essa realidade mudou completamente”.

Ela destacou ainda, a importância do Projeto para valorização e fortalecimento da identidade das pessoas de sua comunidade. “Hoje trabalho na comunidade para mudar a realidade de outras pessoas e o Pró-Semiárido tem contribuído muito com isso. O Projeto tem fortalecido este sentimento de auto-pertencimento enquanto povo quilombola, esse processo de empoderamento e de autoestima da mulher.”.

O Julho das Pretas contará com mais dois momentos de programação virtual. Nesta quinta-feira (23), às 14h, haverá um seminário online com o tema “Protagonismo da Mulher Negra” com a participação das pedagogas Lilian Pinto, Elis Souza dos Santos e Denyse Almeida e da estudante de teatro, Lulu Coelho. Já no dia 27, a reflexão será em torno do tema “Mulher e Políticas Públicas” e contará coma presença da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia, Fábia Reis, da advogada Flora Maria Brito Pereira e da Pedagoga e Ativista Social, Cristina Viana. O evento tem inicio às 14h.

Para acompanhar a programação virtual do Julho das Pretas é só acessar as páginas do Youtube e Facebook da Rede Educom TIPNI nos dias e horários agendados.



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