Foi lançado nesta quarta-feira (28), em Salvador, o Cadastro de Experiências com Sementes Crioulas, durante o II Encontro de Sementes, Mudas e Raças Crioulas, realizado durante a 9ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária, que acontece no Parque de Exposições de Salvador, até o dia 02 de dezembro, em paralelo à 31ª Fenagro.
O evento reuniu representantes de comunidades tradicionais, organizações e movimentos sociais, e o poder público, que debateram sobre a diversidade, conservação e multiplicação dos recursos genéticos.
O sistema de cadastro é parte estratégica voltada para a transição agroecológica e fortalecimento da soberania alimentar na Bahia e, integra ações estruturantes desenvolvidas pelas secretarias de Desenvolvimento Rural (SDR) e do Meio Ambiente (SEMA), como a Lei da Política Estadual de Agroecologia, uma demanda de organizações sociais que integram a Câmara Técnica de Agroecologia e Educação Ambiental.
"O Cadastro é um banco de informações que contribui para a valorização e divulgação das sementes crioulas, no intuito de elaborar políticas públicas com dados que possam ser acessados de forma rápida e clara", enfatizou o secretário de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues.
Irene de Deus Araújo diz que na sua comunidade ainda não tem banco de sementes mas, que veio ao encontro para aprender como montar um em sua comunidade: "A gente já colhe sementes para consumo e guarda algumas para replantar", explicou a agricultora da Comunidade Quilombola Lagoinha, de Nova Canaã, Território Médio Sudoeste.
"O cadastro é um sistema simples, de fácil acesso, e capaz de ressaltar experiências campesinas com sementes crioulas", pontuou a gestora da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater/SDR), Célia Watanabe.
Sementes, Mudas e Raças Crioulas
Esta edição do encontro apresentou o Plano Estadual de Sementes, Mudas e Raças Crioulas, programa que visa o resgate e fortalecimento dos bancos de sementes comunitários.
Marcelo Matos, superintendente da Agricultura Familiar (Suaf/SDR), destacou o trabalho que já vem sendo feito com o resgate da mandioca, em parceria com a Biofábrica: "É preciso preservar o cultivo de diversas espécies e também de raças nativas".
Para Carlos Eduardo Leite, representante da Associação de Agroecologia da Bahia (AABA), os avanços continuam e o plano já está pronto, devendo ter início com experiências já consolidadas das comunidades: "Já temos o edital de Sementes Crioulas da SDR e também experiências práticas de organizações territoriais dos biomas", salientou Carlos Leite.
Segundo Welinton Hassegawa, diretor de Inovação da Bahiater, a agroecologia é o início para o desenvolvimento sustentável: "Conservar os saberes da agricultura familiar, multiplicar os guardiões de sementes e investir numa assistência técnica agroecológica são caminhos para a sustentabilidade", garantiu.