Missão do Banco Mundial e Fida conhece projetos de desenvolvimento rural na Bahia

09/12/2016
Sustentabilidade, produtividade, produção agroecológica, ancestralidade, preservação do meio ambiente e implantação de sistemas agroflorestais foram alguns dos conceitos vivenciados pela Missão Conjunta do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird/Banco Mundial) e Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) no Brasil, em viagem de campo aos municípios de Ilhéus, Ibicaraí, Arataca e Pau Brasil, do Território de Identidade Litoral Sul, nestas quinta-feira (08) e sexta-feira (09). A ação teve entre seus objetivos verificar o andamento de projetos do Bahia Produtiva e conhecer novas experiências de projetos produtivos de desenvolvimento rural, no estado da Bahia.De acordo com o chefe de gabinete da secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Jeandro Ribeiro, a realização dessa missão “foi um verdadeiro intercâmbio de experiências, possibilitando ao Banco Mundial e ao Fida degustarem de toda a diversidade da região sul da Bahia, iniciando com o potencial da produção de chocolate de origem, na fábrica da Bahia Cacau, passando pelo assentamento Terra Vista, onde foi possível ter uma experiência única de como o homem pode viver em harmonia com o meio ambiente, pois os assentados literalmente deram uma aula de convivência com o bioma Mata Atlântica, tendo o cultivo do cacau, no sistema cabruca, como o motivador da preservação".Ribeiro observou ainda que a SDR e a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) tem sido um instrumento da execução dessas políticas afirmativas para a agricultura familiar, para as comunidades tradicionais e para os assentados da reforma agrária do estado da Bahia e completou: “não tenho dúvidas que os integrantes da missão voltaram muito mais ricos com tanta imersão de vivência na educação, na preservação e na inclusão socioprodutiva, deixando também suas experiências de outros projetos financiados pelo banco”.O coordenador setorial de Operações para o Brasil, do Banco Mundial, Gregor Wolf, ressaltou que ficou encantado com o que viu nesses dois dias de visitas às experiências. “O que vi nesses dois dias foi uma validação de tudo que nós estamos discutindo em termos bastante abstratos, sendo realmente implementados com profissionalismo, com o coração e com um ânimo que, para mim, é um aprendizado muito positivo. Muito satisfeito em ter visto tudo o que foi feito em nível das comunidades individuais ou das instituições que estão apoiando todo esse processo”.O coordenador do Bahia Produtiva, Fernando Cabral, ressaltou que essa foi a conclusão de mais uma etapa da missão conjunta Banco Mundial e FIDA ao projeto Bahia Produtiva. “Nessa etapa foi possível observar as ações desenvolvidas pelo Estado para o fortalecimento da agricultura familiar, por meio do Bahia Produtiva e outros projetos governamentais”. Cabral observou ainda que o resultado da missão foi altamente positiva, com destaque para diversos aspectos a exemplo de sustentabilidade, inclusão social e produtiva, além de recuperação ambiental, dentre outros.O oficial de Projetos do FIDA no Brasil, Leonardo Bichara, destacou que a participação nessa missão foi uma experiência muito rica, por conhecer o que outras instituições fazem em outras partes onde o FIDA não atua. “Vamos levar muitas experiências positivas, pois o objetivo dessa missão conjunta é verificar o que tem de positivo em cada uma dessas experiências e ver como podemos somar os esforços para multiplicar, pois esse é o propósito, multiplicar ações para reduzir a pobreza no campo e unidos vamos conseguir chegar lá”.Cacau - A programação iniciou com a visita à agroindústria de processamento de cacau, Bahia Cacau, instalada no município de Ibicaraí. Na fábrica, que é a primeira da Bahia, de chocolates produzidos com o cacau oriundo da agricultura familiar, os presentes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da história da produção de chocolates na Bahia e dos avanços que esse segmento vem conquistando nos últimos anos.Outra experiência visitada foi a do assentamento Santana, um dos locais onde é produzido o cacau para a fabricação de chocolates especiais. Durante a visita, a comitiva conheceu alguns produtores, tirou dúvidas sobre o processo de produção e conheceu as instalações onde é feito parte do beneficiamento do cacau, de onde se extrai a amêndoa, que produz o chocolate.No assentamento Terra Vista, localizado no município de Arataca, a comitiva, que foi recebida em uma das salas de aula, pelas famílias que residem no local, conheceu a história de lutas e conquistas da comunidade, que tem como principais objetivos a soberania alimentar, o acesso à educação e a geração e ampliação da renda das famílias. Durante a visita, o grupo conheceu ainda a Unidade Demonstrativa de Sistema Agroflorestal (SAF), que tem o cacau como cultura principal, ocupando uma área de 300 hectares, e a Unidade Simplificada de Beneficiamento de Cacau, além se encontrar com representantes da Rede de Integração de Comunidades Indígenas e Quilombolas (Teia), responsável por um projeto de distribuição de sementes, financiado pela CAR/SDR.Fátima Amazonas, gerente do projeto Bahia Produtiva pelo Banco Mundial, ao conhecer um pouco do que vem sendo desenvolvido no assentamento Terra Vista enfatizou que “tudo o que vem sendo construído aqui, de forma coletiva e com muita luta, merece ser reproduzido”.Joelson Ferreira de Oliveira, um dos líderes do assentamento Terra Vista e integrante da coordenação da Teia dos Povos, reforçou que é necessário fazer um trabalho de reconstrução nos assentamentos, comunidades indígenas ou quilombolas, para recompor nas diversas áreas a Mata Atlântica. “Precisamos fortalecer nossas comunidades, e, apesar dos desafios, continuar semeando e juntando forças para avançar nesse caminho, mudando paradigmas. Que nessa perspectiva possamos avançar”.Outra etapa da viagem de campo foi na aldeia indígena Pataxó Hã Hã Hãe, que abrange sete etnias, entre elas a Tupinambá, Pataxó, Kiriri, Camacã e Sapuiá, no município de Pau Brasil. No local, a missão conheceu um pouco da história dessa comunidade, que foi selecionada pelo edital do Bahia Produtiva, de apoio à Cadeia Produtiva da Bovinocultura do Leite, para receber uma patrulha mecanizada, para recuperação das pastagens, um kit de inseminação, para melhoramento genético e um tanque de resfriamento, além de estar sendo atendida com a implantação de um sistema de abastecimento de água.O cacique Tupinambá, Nailton Muniz, ressaltou “temos muitas necessidades e, preocupados com o futuro dos nossos filhos e netos, estamos unindo forças com os povos indígenas, sem-terra, quilombolas, marisqueiras, para trabalharmos juntos por nossas comunidades”.A última atividade foi na Biofábrica de Cacau, que tem parcerias com a SDR, por meio da CAR, e outras nas esferas públicas e privadas, localizada no distrito de Banco do Pedro, no município de Ilhéus. Na unidade, o grupo, acompanhado pelo presidente do Instituto Biofábrica, responsável pela gestão da unidade, Lanns Almeida, teve a oportunidade de conhecer, não só um pouco da história, mas de percorrer as instalações e viveiros de mudas de diversas espécies de cacau, outras frutas como goiaba, banana, cajá, raízes como a do aipim e outras essências florestais, utilizadas na recomposição das matas, além de conhecer um dos três maiores laboratórios de micropropagação de mudas do país.Participações - Do Banco Mundial estavam na Missão a especialista sênior em Desenvolvimento Rural e gerente do projeto Bahia Produtiva, Fátima Amazonas, o coordenador setorial de Operações para o Brasil, Gregor Wolf, e o especialista em Análise Econômica e Financeira, Mário Castejon e, representando o FIDA, o oficial de Projetos no Brasil, Leonardo Bichara.A comitiva foi acompanhada pelo chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Jeandro Ribeiro, o coordenador geral do Bahia Produtiva, Fernando Cabral, o coordenador de Análise e Acompanhamento do Bahia Produtiva, Gilberto Souza, o técnico da CAR, no Litoral Sul, Abiel Santos e o assistente territorial do Bahia Produtiva, Anderson Franciscone, além do presidente do Instituto Biofábrica de Cacau, Lanns Almeida.Confira mais fotos da Missão:Assentamento Terra Vista: http://migre.me/vGYBlFábrica de Chocolates Bahia Cacau: http://migre.me/vGZ8RAldeia Pataxó Hã Hã Hãe: http://migre.me/vGYQHBiofábrica de Cacau: http://migre.me/vGZP2Assentamento Santana: http://migre.me/vGZyy[gallery ids="9782,9783,9784,9785,9786,9787,9788,9789,9790,9791,9792,9793,9794,9795,9796,9797,9798,9799,9800,9801,9802,9803,9804,9805,9806"]

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