Pescadora artesanal de cooperativa baiana é homenageada em evento voltado para mulheres em São Paulo

04/12/2019

“A mulher é gigante pela própria natureza”, com essa frase, inspirada no Hino Nacional, que Maria Aparecida Mendes, mais conhecida como Cida Pescadora, tirou os aplausos de mais de mil mulheres no auditório lotado do Teatro Santander, em São Paulo, durante o encontro do Grupo Mulheres do Brasil.

O evento, realizado na última quinta-feira (28) reuniu mulheres inspiradoras e empreendedoras conduzidas por Luíza Helena Trajano, do Grupo de Varejo Magazine Luíza. Compartilhar experiências e histórias inspiradoras de mulheres brasileiras, que realmente assumem papel de protagonistas em seus vários ambientes e espaços de atuação, considerando diferenças ainda presentes na sociedade brasileira, foram um dos objetos do encontro, que contou com a participação do apresentador Pedro Bial.

“Nós mulheres brasileiras, nordestinas, negras, quilombolas, indígenas, todas nós, dentro das nossas áreas de atuação somos gigantes. Somos gigantes pela natureza feminina. Somos mulheres gigantes pela própria natureza”. Cida relata que não é fácil enfrentar uma sociedade em que homens quase sempre levam vantagem em tudo, e que as mulheres, por mais competência que tenham, ficam em segundo plano.

Durante o evento, o público teve a oportunidade de ouvir e se emocionar com a história de vida, a rica experiência e o trabalho que a da pescadora realiza junto a mulheres carentes para a melhoria de renda, por meio da produção de derivados de tilápia, em uma atividade praticada historicamente por homens, sensibilizando mulheres para assumirem um papel de empreendedoras e protagonistas onde elas estão inseridas.

Maria Aparecida é natural de Alagoas, filha de pescadores, e desde os nove anos de idade ajuda os pais na atividade da pesca. Ainda na infância, veio para o município de Paulo Afonso, na Bahia, e aos 21 anos chega em Sobradinho, onde permanece até os dias atuais, sempre lutando pelos direitos das pescadoras artesanais. Depois de muita luta como pescadora, inclusive no enfrentamento ao machismo, ela foi a primeira mulher a conquistar a carteira de pescadora artesanal no país.

Cida é uma das fundadoras da Cooperativa de Pescado e Comercialização de Sobradinho (Coopes), que reúne, desde 2003, em sua maioria, mulheres pescadoras artesãs. Ela ocupou o cargo de presidente no período de 2003 a 2013, voltando a ocupar a função de 2016 até o dia 28 de novembro de 2019, deixando o cargo para se dedicar às capacitações que realiza em diversos municípios baianos, voltadas para o beneficiamento do pescado, agregação de valor, confecções de produtos e reciclagem do resíduo gerado por esses produtos.

A história de Cida pescadora já foi contada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); nas Memórias de Brasileiros do Museu da Pessoa, com sede em São Paulo; e já foi destaque em matéria especial do Ministério de Agricultura em homenagem às mulheres.

Política Pública transformando a realidade das pescadoras


As pescadoras artesanais da Coopes estão sendo beneficiadas com a requalificação de uma unidade de beneficiamento de pescado, instalada no Terminal Pesqueiro de Sobradinho. A ação é do Governo do Estado, por meio do Bahia Produtiva, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a partir de acordo de empréstimo com o Banco Mundial.



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