Produção agroecológica integrada sustentável dinamiza ensino em escolas famílias agrícolas

11/09/2019

A implantação de quatro áreas do Sistema de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (Sistema PAIS), está sendo um reforço para as aulas práticas dos estudantes da Escola Família Agrícola (EFA) de Paramirim. A ação é resultado do investimento do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

A produção de hortaliças, temperos e legumes, produzidos sem agrotóxicos ou insumos químicos, é utilizada na alimentação de estudantes, professores e funcionários. O excedente é comercializado na feira do município e em entregas em domicílios, oferecendo também à população da sede do município um alimento de qualidade, limpo e saudável. A iniciativa estimula a prática da alimentação saudável e incentiva os estudantes a cultivarem hortas semelhantes em suas casas.

Para o técnico em Agropecuária, monitor e professor de Matemática da EFA, Silvio de Matos, com a renda extra é possível ampliar as estruturas e incrementar a produção com novas sementes, dar manutenção e adquirir novos equipamentos: “Graças à parceria com o Governo do Estado, por meio da CAR/SDR, desde 2016, foi possível implantar essa forma de cultivo de hortas na EFA, que está se tornando uma ação autossustentável”.

Givaldo Neves, ex-aluno e instrutor da EFA Paramirim, conta que se formou aos 18 anos e já ingressou como monitor: “Como jovem e trabalhador rural, estudar e já sair com o emprego na EFA, que é tão respeitada, é de imensa alegria. Essa escola tem um ensino diferenciado, onde nós podemos trabalhar a teoria em sala de aula e depois ver na prática o que aprendemos na teoria. O apoio do governo estadual nessas instituições é de fundamental importância, porque assegura ao jovem a possibilidade de trabalhar no próprio município, e pensar em se fixar na zona rural, próximo à sua família, trabalhando com a terra. Isso foi de fundamental importância na minha vida”.

O estudante da EFA, Danilton Rocha, explica que o sistema PAIS é composto de uma parte de proteína animal, com a criação de galinhas caipiras e outra com a produção de vegetais em um formato que se assemelha a uma mandala: “O que nós conseguirmos aprender na prática podemos levar para a nossa comunidade e para a nossa vida”.

Samuel Matos, engenheiro agrônomo e monitor da EFA de Paramirim, é responsável pelo viveiro de mudas, onde são produzidas as mudas de umbu gigante. A instalação do viveiro é um desdobramento dos investimentos realizados na implantação do sistema PAIS. O engenheiro agrônomo explica que o umbu é uma planta nativa da nossa região, que produz um fruto pequeno, mas que com o processo de enxertia passa a produzir o umbu gigante, com maior produtividade: “Essas mudas serão distribuídas para os alunos da escola, para os pais e para toda a comunidade, melhorando a renda das famílias, com a venda tanto do fruto como da polpa, que tem bastante aceitação na região, e isso tudo é fruto do trabalho do Governo do Estado, que vem ajudando bastante aqui e todo mundo que trabalha no meio rural”.

De acordo com o coordenador de Projetos Especiais da CAR, Gilmar Bonfim, por meio da parceria com associações e prefeituras estão sendo construídos sistemas de hortas comunitárias, para incentivar os municípios agricultores a trabalhar a agroecologia, e também as boas práticas de produção, sem utilização do agrotóxico: “Na EFA de Paramirim, já está sendo comercializado o excedente da produção, e a alimentação já é mantida pela estrutura do sistema PAIS”.

Sobre a EFA Paramirim

Atualmente, a EFA de Paramirim, que é filiada à Associação das Escolas das Comunidades e Famílias Agrícolas da Bahia (Aecofaba), conta com 104 estudantes dos níveis fundamental e médio/técnico em Agropecuária.

As EFAs adotam os princípios da Pedagogia da Alternância, que possibilita ao educando uma formação integral com um período na escola (semana ou quinzena) e outro no meio familiar comunitário. Dessa forma, ele consegue estudar e, ao mesmo tempo, manter contato com suas origens, cultura, tradições e meios de produção agropecuária, agroecológica, se preocupando com o meio ambiente saudável.

As EFAs buscam desenvolver um projeto educativo contextualizado, trabalhando a reapropriação de saberes, fazeres e tecnologias apropriadas à agricultura familiar, principalmente nas regiões do semiárido.

Além de oferecer a educação, a Aecofaba tem como preocupação favorecer condições para que haja unificação entre a teoria e a prática. Para isso, contam com parcerias, dentre elas, com o Governo do Estado, por meio de secretarias estaduais, a exemplo da SDR e Secretaria de Educação (SEC).

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