Programa de Desenvolvimento Econômico e Social da Mata Atlântica é lançado neste sábado

12/02/2017
Com o tema O que nos une é maior do que o que nos separa, foi lançado, neste sábado (11), no assentamento Terra Vista, município de Arataca, Território de Identidade Litoral Sul, o Programa de Desenvolvimento Econômico e Social da Mata Atlântica. O evento, que teve a presença do secretário estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues, representando o governador Rui Costa, é uma iniciativa da Teia dos Povos e do Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (CIMA).A ação tem como objetivo proteger o bioma Mata Atlântica no estado da Bahia, conservando as espécies nativas de plantas e a fauna e construindo um bem viver para os povos da floresta, os extrativistas, assentados da reforma agrária, pequenos e médios agricultores familiares e todos aqueles que acreditam no potencial do cacau cabruca (produzido em sistema que preserva a Mata Atlântica).O secretário da SDR, Jerônimo Rodrigues, ressalta a importância da atuação articulada entre consórcio e Teia dos Povos, agentes de transformação que não só executa, mas pensa e elabora projetos estruturantes, revelando boas iniciativas, pensando na recuperação ambiental, desde o plantio à comercialização, com fortes vertentes de educação. Rodrigues lembrou ainda da importância da presença e atuação das universidades e da parceria do Governo do Estado com o Instituto Biofábrica de Cacau, que prevê a distribuição de 36 milhões de mudas nos próximos oito anos.“Esse é um projeto de desenvolvimento e de mudança cultural, que já conta com a parceria do Estado e envolve indígenas, quilombolas, ribeirinhos, assentados e agricultores familiares de uma forma geral. É também uma iniciativa de valorização da cadeia produtiva do cacau e o Governo já vem realizando um trabalho de parceria nas áreas de regularização fundiária, por meio da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), de acesso à água e de apoio à cadeia produtiva do cacau, por meio do edital do projeto Bahia Produtiva com recursos na ordem de R$ 10 milhões, que está sendo executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), entre outras ações, que resultam na melhoria da renda e das condições ambientais e econômica dos territórios envolvidos”.Joelson Ferreira, da coordenação da Teia dos Povos, ressalta que esse programa visa a construção de uma base econômica, para uma região que perdeu força nas últimas décadas, para a partir daí, construir agroindústrias, roteiros turísticos, e uma educação com base na economia, reconstruindo a região com outra perspectiva. “Estamos dentro de uma bioma que, ao mesmo tempo que é riquíssimo é também frágil, que perdeu espaço com a monocultura, por isso, precisamos avançar na perspectiva de proteger esse bioma com conscientização e valorização do sistema cabruca e da região, reconstruindo um sistema agroflorestal, para proteger as nascentes, as espécies e trabalhar para gerar uma economia pujante desses territórios”.O cacique Nailton Pataxó, da comunidade Pataxó Hã Hã Hãe, da Terra Indígena Paraguaçu, do município de Pau Brasil, falou das ações realizadas pelo Governo do Estado, nas áreas de acesso à água e apoio à bovinocultura de leite e afirmou que essas ações, unidas s atuação da Teia dos Povos, despertaram o interesse da comunidade para mudar a sua realidade. “Nós já estamos trabalhando a terra com o pensamento de plantar as mudas, que serão distribuídas e de produzir alimentos para a auto-sustentação da comunidade”. O cacique reforçou ainda que essa aliança com a Biofábrica e com a Teia dos Povos, que trabalha pela unificação dos povos é muito importante para que a comunidade tenha a garantia dessa autonomia.Para o diretor geral do Instituto Biofábrica de Cacau, Lanns Almeida, “o programa é desafiador, são 400 mil hectares de área recuperada e a Biofábrica, em parceria com a SDR, CAR, Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf), Superintendência de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), as secretarias estaduais de Agricultura, Ciência e Tecnologia e Inovação e Desenvolvimento Econômico, exerce um papel fundamental, para executar essa ação que deve empregar 120 mil pessoas na segunda maior região do estado em número de habitantes e com inscrição no cadastro único. Só com a reestruturação da agropecuária, agricultura e da organização da base produtiva, é que conseguiremos incluir essas pessoas de maneira duradoura, para poderem entrar num processo de produção, geração de renda e agregação de valor aos seus produtos”.O programa, que será iniciado com a recuperação de 200 mil hectares e implantação de mais 200 mil, totalizando 400 mil hectares de Sistema Agroflorestal (SAF) e cacau cabruca, será executado nos próximos oito anos, alavancando projetos de educação, inovação tecnológica e agroindustrialização, unificados com o turismo e a valorização da cultura e dos ativos regionais dos territórios inseridos no Sistema Cabruca, que na Bahia compõe o bioma Mata Atlântica, do Recôncavo ao Extremo Sul do estado.A Teia dos Povos e o CIMA, desde 2013, vêm construindo esse programa, que atenderá 92 municípios, revitalizando e ampliando a economia de base na Mata Atllântica. A iniciativa prevê ainda a geração de 120 mil empregos diretos e indiretos, R$ 1 bilhão em impostos e R$ 8 bilhões circulando na região, mais de 200 espécies de animais conservadas, a conservação de 55 espécies de plantas nativas em alto risco de extinção, 36 milhões de mudas distribuídas em oito anos e o fortalecimento da vida no campo em busca do bem viver dessas comunidades, entre outras ações.O evento, que acontece até o próximo domingo (12), com uma programação que inclui o plantio simbólico de um hectare de Sistema Agroflorestal (SAF) e distribuição de mudas, contou com a presença do chefe de gabinete da SDR, Jeandro Ribeiro, do deputado federal, Davidson Magalhães, deputado estadual, Marcelino Galo, representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Banco do Brasil, prefeituras dos territórios envolvidos, CIMA e consórcios públicos, universidades estaduais e federais, institutos de ensino tecnológico, movimentos sociais, colegiado territorial, Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia, entre outras.Jornada Agroecológica da BahiaNo evento aconteceu ainda o lançamento da 5ª Jornada Agroecológica da Bahia, que terá como tema central “Terra e Território: Natureza, Educação e Bem-Viver” e será realizada em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro (BA), no período de 19 a 23 de abril.Teia dos PovosA Teia dos Povos é um Movimento Agroecológico inserido nos movimentos e comunidades, promotor de mudanças para uma nova sociedade a partir da emancipação, autonomia e dignidade do ser humano, da Mãe Terra e das suas sementes.

Galeria: