Protagonismo das mulheres e equidade de gênero são temas de oficina virtual

13/05/2021

Para avaliar os impactos do Pró-Semiárido na vida das famílias, o projeto adotou o uso da metodologia da AS-PTA: o Lume – análise econômica e ecológica de agroecossistemas. Neste contexto, as técnicas e técnicos, envolvidos diretamente com o estudo, participaram de uma oficina temática virtual, nesta quarta-feira (12), para avaliar três experiências à luz do tema Protagonismo das Mulheres e Equidade de Gênero.

Foram apresentados casos de três famílias agricultoras apoiadas pelo Pró-Semiárido, em parceria com a Cooperativa de Consultoria Pesquisa e Serviços de Apoio ao Desenvolvimento Rural Sustentável (Coopeser), Associação Regional dos Grupos Solidários de Geração de Renda (Aresol) e Serviço de Assistência Socioambiental no Campo e Cidade (SAJUC).

Nas três experiências, fica evidente o protagonismo da mulher no sistema produtivo, na participação de espaços de políticas públicas e na geração de renda. “As mulheres tendem a ser mais abertas às experimentações e novidades, sobretudo no que se refere ao acesso à novas tecnologias, projetos e programas de assessoria técnica e produtiva, inserção em novos mercados e cadeias produtivas e de valor”, enfatiza a professora Laeticia Jalil, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Nas experiências apresentadas, foi feita a análise das esferas de trabalho nos agroecossistemas, a partir de quatro tópicos: autoconsumo e relações mercantis; participação social; pluriatividade e trabalho doméstico e de cuidado. Viu-se que, mesmo ocupando um lugar de destaque na geração de renda da família, são as mulheres que ainda carregam a responsabilidade pelo trabalho doméstico e de cuidado.

“Precisamos debater e avançar nas mudanças de comportamento frente aos trabalhos reprodutivos para que as mulheres possam ocupar espaços políticos, de gestão, que gerem autonomia e que não sejam ainda mais sobrecarregadas”, afirmou Neila Santos, técnica Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria ao Trabalhador (Cetra) do Ceará, que faz parte da Rede Ater Nordeste.

A oficina reuniu 82 pessoas entre técnicas/os da CAR/SDR; e de 10 organizações sociais parceiras do Pró-Semiárido, além de representantes da Rede Ater Nordeste; Articulação Semiárido Brasileiro (ABA); Articulação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Presente na oficina, o Oficial de Programas (CPO) do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), Hardi Vieira, destacou a parceria da instituição com o estado da Bahia: “São quase três décadas de parceria do Fida com o estado da Bahia. Acho que dentro desta parceria o estudo com a AS-PTA tem mostrado como os projetos Fida têm evoluído na Bahia, sobretudo por conta das alianças firmadas. A assistência técnica é outra prova disso, pois foi importante a decisão do projeto de levar o desenvolvimento rural junto com as organizações da sociedade civil”, destacou Hardi em sua fala.

A assessora de gênero do Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira, apresentou as ações afirmativas de gênero do projeto e análise dos resultados da aplicação das Cadernetas Agroecológicas. Em sua fala, ela destacou os encontros de homens, encontros de mulheres, encontros mistos e ciranda das crianças. Foi feita também a apresentação das reflexões realizadas pelo FIDA acerca da ação de gênero do Pró-Semiárido.

O momento foi facilitado pela consultora e doutora em Antropologia Social, Rodica Weitzman. Essa é a terceira oficina temática do Lume. As duas primeiras focaram nos atributos integração social e responsividade e a quarta oficina, que acontece em junho, vai tratar de segurança alimentar e geração de renda.

O Pró-Semiárido é um projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).



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