Redes de cooperativas da agricultura familiar discutem aprimoramento da comercialização

25/05/2018

O segundo dia do Encontro Estadual de Redes de Cooperativas da Bahia, realizado nesta sexta-feira (25), no município de Feira de Santana, foi marcado por uma palestra sobre comercialização, feita por Vital de Carvalho Filho, diretor da Moeda Semente, instituição de Brasília que trabalha com fundo rotativo.

De acordo com Vital, a comercialização precisa ser pensada como sistema, onde há logística e estruturas de apoio, precisam ser implantadas para a garantia do negócio: “Quando pensamos em uma loja, seja para na comunidade, no centro do município ou no shopping, as estratégias são as mesmas. A gente pensa a rede de lojas, se tem viabilidade e há um plano de negócios, quais são as ferramentas tecnológicas para gestão, e a identidade visual que expresse o todo, mas que não deixe de mostrar a peculiaridade territorial, de maneira que a gente olhe para a marca, veja que faz parte de uma rede”, explicou.

O evento foi marcado por uma série de discussões e compartilhamentos de informações acerca da comercialização dos produtos da agricultura familiar em lojas próprias, centrais de distribuição e redes de comercialização. No cerne do debate, discutiu-se como será possível trabalhar de maneira conjunta, articulada e integrada, para acessar novos mercados apresentando para o publico consumidor o mix da produção rural baiana.

Wilson Dias, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), após ver a sistematização das pautas que foram discutidas entre as entidades, destacou que o primeiro passo “é pensar ações de curto, médio e longo prazo, e o que pode ser colocado em prática com mais rapidez”.

Dias lançou, como proposta experimental, a possibilidade de ter um “caminhão de coleta e distribuição de produtos nos territórios, com uma rota estratégica que pudesse abastecer as lojas com a diversidade da agricultura familiar baiana, para dinamizar comercialização dos empreendimentos já em atividade”, sugeriu.

Para a diretora de Agregação de Valor e Acesso a Mercados, da Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf/SDR), Elizabete Costa, o evento reuniu grande parte das cooperativas do estado que estão em um processo organizado: “É importante para mantê-las atualizadas sobre as ações que estão sendo realizadas no estado. A programação contou com discussões sobre as estratégias de comercialização que cada cooperativa está trabalhando, a articulação para a organização de lojas para venda de produtos da agricultura familiar em todos os territórios, que são ações que a Suaf vem investindo”.

As redes com a palavra

O evento foi realizado em dois dias e fez parte da programação da 11ª Feira do Semiárido, que termina hoje no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), com o objetivo de discutir e refletir sobre as políticas públicas e, desenvolvimento territorial, que estão em curso. O encontro contou com a participação de mais de 60 pessoas, entre elas, representantes das redes Gavião, Caatinga, Arco Sertão, Frutos da Caatinga, Mata Atlântica, Mulheres, Monte Sabor e outras.

“O encontro foi estratégico para pensar o escoamento da produção, a gente avançou nas discussões e a nossa sorte é que há um Estado que tem um compromisso em ajudar na comercialização da agricultura familiar e acredito que demos um passo importante, no quesito da logística compartilhada. Agora é trabalharmos cada vez mais em parceria, para fortalecer todas as redes”, avaliou Adilson dos Santos, responsável pela Central da Caatinga.

Como encaminhamento final, saiu um documento no qual consta um cronograma de encontros, nos meses de Julho, Setembro e Dezembro, para dar continuidade do trabalho, em conjunto, com o objetivo de aprimorar a comercialização e garantir êxito no escoamento da produção rural nas diversas frentes de mercados.



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