Técnicos do Banco Mundial conhecem experiência de aliança entre agricultores e setor privado

17/05/2018

Com o propósito de incentivar alianças produtivas de cooperativas da agricultura familiar baiana com o setor privado, o Governo do Estado vem desenvolvendo diversas ações e, nesta quinta-feira (17), levou representantes do Banco Mundial para conhecer a Fábrica de Chocolates AMMA, localizada na BR324, que vem realizando uma parceria com a formação de agricultores familiares de dois assentamentos de reforma agrária do estado.

Recentemente, o governo estadual lançou o edital Alianças Produtivas, por intermédio do Bahia Produtiva, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). O edital tem como foco a relação comercial de cooperativas com compradores do setor privado.

De acordo com o coordenador do Bahia Produtiva, Fernando Cabral, a AMMA é exemplo do que o projeto vem buscando disseminar no estado: “Queremos incentivar a inclusão de cooperativas no mercado e atrair empresas privadas para as oportunidades de negócios. A nossa visita à fábrica cumpre o objetivo de apresentar ao Banco uma possível aliança produtiva envolvendo a AMMA com as associações e cooperativas vinculadas aos dois assentamentos onde, hoje, eles já atuam”.

Um dos assentamentos, que conta com a parceria da AMMA, é o Terra Vista, localizado no município de Arataca, no Território de Identidade Litoral Sul, onde está sendo produzido um chocolate gourmet com 60% e 70% de teor de cacau e já é comercializado em várias partes do Brasil.

Para o idealizador da AMMA, Diego Badaró, o novo desafio da fábrica é fomentar a conscientização dos agricultores familiares para manter a floresta em pé, verde, e revigorar as áreas desmatadas: “O grande desafio da humanidade hoje é a reconexão com a natureza. O assentamento Terra Vista, que a gente vem trabalhando, é um exemplo fantástico de trabalho com agroecologia. Nosso intuito é ajudar a implantar um manejo de qualidade e, consequentemente, comprar grãos desses agricultores familiares para realizar a certificação. Hoje, muitos produtores já são orgânicos por natureza, mas não possuem o certificado”.

Segundo o assessor especial do Bahia Produtiva, Guilherme Cerqueira, “fazer com que essas cooperativas apoiadas pelo governo tenham parceiros como a AMMA, que acredita nos princípios e valores da agricultura familiar, e trazer esse empresário para participar desse negócio, é um trabalho que a gente espera concluir com o edital. Estamos apenas começando essa estratégia. Mas, ver que isso é possível, é muito importante para que possamos avançar”, ressaltou.

A especialista sênior em Desenvolvimento Rural do Banco Mundial, Fátima Amazonas, afirmou que o Bahia Produtiva tem uma característica diferencial, pois apresenta uma ação empreendedora para fortalecer os pequenos produtores da agricultura familiar e poder dar acesso ao mercado de uma forma mais estruturada, com sustentabilidade, além de ter uma abordagem de alianças produtivas com o setor privado: “ O componente produtivo e de acesso ao mercado vem sendo trabalhado de forma mais estruturada, com atuação de assistência técnica, plano de negócios e uma característica de empreendedor. Pequeno ou médio, não implica que ele não possa ter o aprendizado e a prática do empreendedor, para que seu negócio tenha capacidade e possibilidade de sucesso e sustentabilidade. É um processo que tem um aprendizado e tem uma mudança de cultura, porque muitas vezes não há uma valorização do seu próprio trabalho”.

O Bahia Produtiva é executado CAR/SDR, por meio de um acordo de empréstimo entre o Governo do Estado e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird/Banco Mundial).



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