Os dias 26 e 30 de agosto foram dedicados ao estudo e à reflexão sobre raça e etnia pelos técnicos e técnicas que executam as atividades do Pró-Semiárido, projeto executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), nos Territórios de Identidade Piemonte da Diamantina, Bacia do Jacuípe e Sertão do São Francisco. A formação, que teve duração de 08 horas, teve como objetivo resgatar e fortalecer a identidade negra e indígena, construindo um processo de reflexão individual e coletivo sobre a discriminação social, racial e de gênero, enfrentadas pelos povos e comunidades tradicionais atendidos pelo projeto.
“Acreditamos que este trabalho possa levar às comunidades, sobretudo às mulheres envolvidas nestas atividades, a refletirem sobre suas experiências, aprender com o processo, trocar e construir novos conhecimentos”, salientou Elisabeth Siqueira, assessora de gênero do Pró-Semiárido.
Bruno Gonçalves, técnico do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), uma das organizações selecionadas para acompanhamento de comunidades atendidas pelo projeto, que participou da formação, explicitou a importância do evento: “O dia da formação foi muito importante porque trouxe informações novas sobre essas questões. No resumo, foi mais que um autoconhecimento, e a gente segue avançando para levar essas informações para as comunidades”.
Já Corali Carla de Almeida, técnica que presta serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater) aos beneficiários do Pró-Semiárido, peloServiçode Assessoria a Organizações Populares Rurais (Sasop), disse que a oficina contribuiu para qualificar a ação em campo: “A gente precisava, de fato, ter uma informação como essa, porque a gente trabalha com essa realidade toda hora e, às vezes, nem conhece quais são as intervenções que são proveitosas para essas comunidades. Então, a atividade foi muito produtiva porque a gente pode trocar experiências e entender um pouco melhor como fazer as intervenções dentro da comunidade”.
As oficinas têm o objetivo de assegurar melhor compreensão sobre a identidade dos povos envolvidos no projeto e o respeito às suas tradições culturais. Estão previstas oficinas étnico-raciais nos territórios rurais do projeto; encontros étnicos municipais; e intercâmbios, entre outras atividades.
Para Maria Nazaré Mota, uma das facilitadoras da atividade, a ação é importante e estratégica: “Eu recebo com muitos bons olhos a perspectiva que o projeto conseguiu incluir com o trabalho, com as comunidades do campo. Dentro das comunidades há muito de racismo velado que nas cidades acontece, mas isso fica muito quietinho e travestido de uma outra questão. É um tempo curto para fazer essa discussão com os técnicos, mas eles próprios disseram o quanto isso foi importante para o trabalho que eles fazem”.
Neste mês de setembro, a oficina vai ser realizada com os técnicos do Território de Identidade Piemonte Norte do Itapicuru.
O Pró-Semiárido é executado pela CAR/SDR, por meio do acordo de empréstimo firmado entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).