Umbu da agricultura familiar se destaca entre as frutas do Verão

06/02/2025

O verão na Bahia tem um sabor especial, o do umbu, fruto típico da Caatinga, que marca presença nas mesas baianas entre os meses de janeiro e abril. Este ano, a safra do umbu vem com força total, trazendo oportunidades para agricultores e agricultoras familiares de associações e cooperativas, que transformam a fruta em diversos derivados, gerando renda e fortalecendo a economia local.

Em Pintadas, a Cooperativa Ser do Sertão (Coopsertão) celebra um momento inédito. Com investimentos do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), a cooperativa ampliou a agroindústria e agora tem capacidade para processar e estocar um volume recorde da fruta.

A presidente da Coopsertão, Valdirene Santos, destaca o impacto dessa estruturação. "Este ano é completamente diferente dos anteriores. Nos últimos dois anos, tivemos que buscar umbu em outros municípios, porque a produção local não foi suficiente. Agora, estamos recebendo entre 70 e 80 caixas de 25kg por dia só de Pintadas. Além disso, agricultores de nove municípios do território Bacia do Jacuípe estão entregando diretamente na cooperativa. Nunca havíamos recebido uma quantidade tão grande de umbu. Nossa produção deve alcançar entre 15 e 27 toneladas este ano, um crescimento expressivo, comparado às seis ou sete toneladas dos anos anteriores”.

Da Caatinga para o Copo: A Transformação do Umbu

Com o aumento da produção, a Coopsertão tem ampliado a comercialização. Cerca de 80% das polpas são destinadas aos programas públicos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo que estudantes da rede pública tenham acesso a alimentos saudáveis e nutritivos. Os outros 20% são vendidos no mercado privado, conquistando cada vez mais consumidores que buscam refrescância e qualidade nos sucos de polpa natural.

As polpas são encontradas em diversos estabelecimentos comerciais do território Bacia do Jacuípe. Em Salvador, as polpas podem ser encontradas no Centro de Distribuição de Produtos da Agricultura Familiar, localizado em Itapuã.

O apoio da CAR foi essencial para essa expansão. A ampliação da agroindústria elevou a capacidade de armazenamento da cooperativa para 89 toneladas – antes, eram apenas 27 toneladas. Com novas câmaras frias e um sistema de energia solar, que reduz em mais de 90% os custos com eletricidade, a produção tornou-se mais sustentável e eficiente.

Mais Produção, Mais Renda e Sustentabilidade

A Coopsertão reúne 326 famílias, que atuam em diferentes sistemas produtivos, incluindo leite, cordeiro, hortaliças e frutíferas. A assistência técnica específica, aliada à estrutura agroindustrial moderna, permite que os cooperados processem suas colheitas com mais segurança e consigam acessar novos mercados.

Além da industrialização do umbu, a cooperativa também investe na recuperação ambiental. Com o modelo Agroflorestal de Recuperação de Áreas Degradadas para o Semiárido, implementado pela CAR, a Coopsertão fortalece a resiliência climática e reduz as emissões de carbono na atmosfera, garantindo um futuro mais sustentável para a produção agrícola da região.

Repórter: Karoline Meira



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