Em evento da Fieb, Sema apresenta estratégias para novo modelo de transição energética da Bahia

12/02/2025

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) apresentou, nesta quarta-feira (12), a proposta de um novo modelo econômico para a Bahia, baseado na economia verde e na transição energética. A palestra ocorreu durante um evento promovido pelo Conselho de Petróleo, Gás e Energia (CPGE), no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), reunindo especialistas, empresários e gestores públicos do estado.

Representando a Sema, o chefe de gabinete, André Ferraro, declarou que, apesar do crescimento econômico da Bahia nas últimas décadas, o estado ainda não explorou totalmente seu potencial sustentável. Nesse sentido, ele explicou que o governo estadual vem estruturando diretrizes para atrair investimentos nacionais e internacionais em 

“Estamos vivendo a maior realocação de capital da história, com investimentos estimados entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões anuais até 2030. A Bahia não pode ficar à margem dessa transformação. Com planejamento, incentivos e uma estrutura de governança sólida, temos tudo para nos consolidar como um dos principais polos da economia sustentável no Brasil”, destacou Ferraro.

Em evento da Fieb, Sema apresenta estratégias para novo modelo de transição energética da Bahia
Foto: Ascom/Sema

Pronater e fortalecimento da agricultura sustentável

Entre as iniciativas mencionadas pelo gestor, destaca-se o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater), que busca fortalecer a agricultura familiar com foco na agroecologia e recuperação de áreas degradadas. “A sustentabilidade passa pelo fortalecimento das nossas comunidades rurais. O Pronater é um instrumento essencial para garantir assistência técnica, impulsionar sistemas agroflorestais e permitir que pequenos produtores se insiram nesse novo cenário econômico”, explicou.

Para ele, o estado baiano possui uma grande oportunidade na produção de biocombustíveis sustentáveis a partir da macaúba, cultura que pode ser desenvolvida em áreas de pastagem degradada. “Apenas utilizando entre 10% e 30% dessas áreas, conseguimos produzir entre 2 e 6 bilhões de litros de biocombustíveis, gerando renda e desenvolvimento para municípios como Ipirá, Monte Santo e Queimadas”, ressaltou.

Hidrogênio verde e biocombustíveis como motores da transição energética

Outro setor promissor destacado por Ferraro foi o hidrogênio verde, um dos principais vetores da transição energética global. “A Bahia já tem incentivos para produção de H₂ Verde e iniciou a conversão de polos industriais cinzas em polos verdes, incluindo dois no interior. O objetivo é posicionar o estado como um grande exportador para o mercado europeu, que movimenta entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões”, explicou.

Os bicombustíveis avançados também foram apontados como um diferencial competitivo do estado. “O Brasil pode captar entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões nesse setor, e a Bahia tem condições de ser protagonista nessa transição, aproveitando a produção de biomassa sustentável”, destacou o gestor.

Plano de Manejo da Baía de Todos-os-Santos e incentivo à industrialização sustentável

Além dos investimentos em energia renovável, a Sema tem trabalhado para garantir um planejamento sustentável da Baía de Todos-os-Santos (BTS). “Estamos estruturando um Plano de Manejo que vai conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Isso inclui um mapeamento detalhado dos ativos ambientais da região, um zoneamento sustentável e estratégias de financiamento para recuperação e preservação”, afirmou.

A industrialização descentralizada também foi mencionada como um pilar fundamental da nova economia baiana. “Queremos levar o desenvolvimento para além da Região Metropolitana de Salvador. A Bahia tem condições de produzir energia renovável e hidrogênio verde a custos extremamente competitivos, o que pode atrair indústrias para o interior e criar novas cadeias produtivas sustentáveis”, pontuou André.

 

Fonte
Ascom/Sema
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transição energética