Documentário sobre a história do nadador Edvaldo Valério é lançado em Salvador

29/07/2016
O filme documentário “Baladágua” foi lançado na noite desta quinta-feira (28), no Cinema do Museu, em Salvador. O curta, com a duração de cerca de 30 minutos, conta a história de Edvaldo Valério, único atleta negro do Brasil a conquistar uma medalha olímpica na natação. O feito do baiano, conhecido como Edvaldo “Bala” Valério, aconteceu no revezamento 4x100 em Sydney, 2000. O evento contou com a participação de gestores públicos, esportistas, jornalistas e familiares e amigos do nadador baiano.

Baseado na obra “A Braçada da Esperança”, de autoria de Raphael Carneiro, publicado ano passado, Baladágua é uma promoção da Federação Baiana de Desportos Aquáticos (FBDA), com patrocínio da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). A produção é da Olivas Filmes e a direção é de Eduardo Oliveira, que tem formação em Jornalismo e Produção Cultural, trazendo em seu currículo a realização de outros quatro curtas metragens.

Ao falar sobre a ideia de documentar a vida do atleta Edvaldo, Oliveira explicou ser a história dele sensacional. “Reúne vários elementos de um vencedor. Ele enfrentou problemas em relação ao preconceito social, preconceito racial, tem questões genéticas do corpo do negro que poderiam ser um obstáculo para o desenvolvimento de alto rendimento de um atleta de natação e ele conseguiu superar cada pedacinho disso e ser quem ele é, conseguindo um feito único para a natação brasileira. É uma história maravilhosa a dele, disse o jornalista, indicando que o lançamento foi apenas o primeiro passo. “Há, ainda, a ideia de exibição tanto em um canal de televisão aberto, quanto em canais fechados”, informou Oliveira.

Valorização – Também destacando a vencedora trajetória esportista de Edvaldo Valério, o diretor geral da Sudesb, Elias Dourado, disse que ao garantir o patrocínio para produção do documentário, a Sudesb visou valorizar a historia de um negro da periferia que conseguiu, por meio do esporte, ocupar um lugar de destaque no país. “A conquista de Edvaldo Valério é a história de um menino pobre de Salvador que, através do esporte e de um esforço enorme da família e de seus treinadores, chega até uma Olimpíada e é medalhista”, observou Dourado, informando que pretende disseminar o exemplo de Edvaldo Valério no interior do estado com a distribuição, em escolas e bibliotecas públicas, de um DVD com o conteúdo do curta.

A produção do documentário levou três meses, entrevistando cerca de 20 pessoas. No entanto, Eduardo Oliveira passou mais de um ano recolhendo o material e buscando apoios. Há depoimentos como o do ex-treinador Sérgio Silva, que foi fundamental para o atleta, além de entrevistas surpreendentes e reveladoras, como a de Galvão Bueno, que narrou a prova olímpica, e do ex-nadador Gustavo Borges.

Conquista – No curta, Edvaldo reconta como foi a sua trajetória até aquela conquista: a infância pobre em Salvador, a descoberta do talento na adolescência, os momentos de incerteza na juventude, os desafios diários contra o preconceito, a falta de apoio financeiro e até contra a genética. Para fazer o filme, ele voltou a Sidney, 16 anos após ter conquistado a medalha e pôde constatar o quanto a Austrália preservou o complexo aquático, mesmo depois de uma década, bem como o país continua investindo no esporte e incentivando a prática de natação em busca de novos talentos.

“Eu nunca imaginei que um dia eu pudesse voltar. Tanta coisa aconteceu na minha vida que a probabilidade disso não acontecer era grande. Exemplo disso é que nunca imaginei que um dia eu seria medalhista olímpico, claro que eu tinha um sonho, mas nunca foi algo que eu afirmava ‘vou ser’. O curta resume a história de quase 30 anos de prática esportiva, desde meu início – comecei aos seis anos – até quando eu fui medalhista aos 22 anos. Eu nadei até os 32 anos de idade”, contou Valério.

Um incentivador do filho, Edvaldo Valério disse que a sua missão foi cumprida. “Foi uma emoção muito grande porque a gente não esquece nunca e toda a vez que a gente revê, se emociona. Não tem como não se emocionar porque foi um feito muito grande, está sempre na memória da gente. Sou agradecido por tudo o que ele fez, pela forma que ele se dedicou à natação e realmente valeu a pena o trabalho que eu tive para ele chegar até onde chegou. Se tivesse que fazer de novo, eu faria”, falou o pai do atleta.

Superação – Um dos presentes no lançamento foi o advogado Daniel Almeida, que nada no centro aquático administrado por Valério e se emocionou com o que viu. “Eu conversei várias vezes com ele. Claro que não com a profundidade que o documentário permitiu que a gente conhecesse, mas ele sempre conta algumas coisas da vida dele, algumas passagens. O que mais me chamou atenção foi a superação dele, acho que é a principal parte do documentário: dele vencer as barreiras criadas, até por parte da sociedade, das pessoas, de vencer o preconceito. Acho que é um exemplo mesmo para qualquer pessoa”, resumiu.

Para Marilângela Cruz, avó do garoto que interpreta Edvaldo na infância, Cleiton Magalhães, o filme é ótimo. Ela conhecia um pouco da história dele por meio de sua filha, que trabalha na FBDA. “Foi uma trajetória difícil. Ele chegar até onde chegou, sem patrocinador, sem dinheiro, sem nada”, falou Cruz, afirmando que torce para que o neto siga o mesmo caminho de Edvaldo Valério.


SSA, 29/07/2016
Ascom/Sudesb
Marcus Carneiro – SRTE/BA nº 3614
Marcela Assis – SRTE/BA nº 2916