Às vezes pregoeiro, às vezes arqueiro: João Marques e sua vida dupla

04/10/2024

O atleta conquistou o quarto lugar no 50º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco

João Marques - Divulgação Brasil Arco.
João Marques - Crédito - Divulgação Brasil Arco

Como os personagens da cultura pop que levam uma vida dupla, João Marques às vezes é arqueiro, às vezes é pregoeiro da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Foi no 50º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco que suas personas se encontraram, quando João participou da disputa na categoria barebow - arco recurvo e sem apoio de miras - no Estádio de Pituaçu, enquanto seus colegas de trabalho o observavam, já que o local também é a sede da autarquia estadual. 

Não bastou só participar da competição entre os dias 25 e 27 de setembro no estádio, o arqueiro chegou até as finais individuais, que aconteceram na Praça Visconde de Cayru, no Comércio, no último sábado, 28, conquistando o quarto lugar. “Não acredito até agora. Estou esperando me ligarem e falarem que cometeram um erro, que vão ter que rever. Não estou acreditando”, conta João. 

Nas fases finais são 32 atletas que competem num chaveamento de embates diretos – um contra um – até a grande final. A disputa acontece por sets, cinco no total, em que cada arqueiro atira três flechas e os resultados são comparados. Quem se sair melhor vence o set e recebe dois pontos, enquanto o empate vale um. Ao fazer seis pontos, é declarado o vencedor da disputa. Entretanto, caso haja empate no total dos cinco sets, acontece o shoot-off, em que cada competidor atira uma única flecha e quem se sair melhor, ganha. 

Foi nessa situação que João venceu Marco Centurion, que foi vice-campeão brasileiro no ano passado, nas quartas de final deste campeonato. “Pensei que fosse ter uma briga boa no evento, que talvez fosse conseguir classificar. Quando classifiquei, achei que estava no meu limite. Ganhei do Centurion. Um tiro na mão de cada um, loucura! Nas quartas enfrentei o Anderson, que é outro baiano, um atirador absurdo. E perdi na semifinal para Paulo Merlino, que é outro baiano, numa grande luta”, conta o arqueiro.

Elemento marcante na competição para João foi disputar no Estádio de Pituaçu, com a presença de colegas de trabalho. “Era muito estranho saber que iria disputar aqui. Meus colegas olhando, mandando foto e acompanhando a disputa”, comenta. 

Sorte e perseverança – Para possibilitar a participação de João na disputa, a Sudesb flexibilizou seus horários para que o arqueiro pudesse treinar e chegar em condições de competir. Tanto que além do crachá de inscrição no torneio pendurado na aljava, o pregoeiro também deixou por acidente, e mais tarde, por sorte, o crachá da Sudesb também. “Esqueci de tirar o crachá, mas me deu sorte. No segundo dia já não tirava mais”, brinca. 

Para além da sorte, João tem um currículo que inclui o 2º lugar no Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco Field - que acontece em espaços abertos, como bosques ou florestas - em 2024, com o arco barebow; o 2º lugar no Campeonato Baiano (Copa Maria Quitéria) de Tiro com Arco Outdoor, em 2023, na categoria recurvo olímpico; dentre outros resultados. 

Além do trabalho de pregoeiro e do tempo como arqueiro competitivo, João também é instrutor da modalidade no clube Diana Arco e Flecha, historiador e músico. Entre tantos interesses, ele ressalta a importância do tiro com arco em sua vida. “Quero que mais pessoas olhem para o nosso esporte e digam: eu posso fazer isso. Sou gordo, tenho 44 anos de idade e o tiro com arco me permitiu perder 23 quilos para poder voltar a competir, conhecendo pessoas de vários lugares do país”, finaliza. 

Ascom Sudesb

Madson Souza