#CSH - Pesquisadora debateu casos de sodomia no período da Inquisição Portuguesa

04/08/2015
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Confissões e denúncias de casos de mulheres sodomitas na época da Inquisição portuguesa no final do século XVI, foram os assuntos tratado pela doutora em História pela Universidade de Essex (Reino Unido) e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ligia Bellini, nesta segunda (03/08), no curso “Conversando com a sua História”, promovido pelo Centro de Memória da Bahia, unidade da Fundação Pedro Calmon / Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A palestra ocorreu na sala Kátia Mattoso, da Biblioteca Pública do Estado (Barris) e foi acompanhada por estudantes e pesquisadores.

 

Em sua palestra, Bellini explicou que pesquisa histórias de mulheres que tiveram relações sexuais e afetivas com outras mulheres, as quais foram processadas pela Inquisição Portuguesa. “Avaliando os regulamentos e as leis eclesiásticas, as punições são draconianas mas, de fato, tantos os sodomitas masculinos quanto os sodomitas femininos não foram severamente punidos, ninguém foi condenado à fogueira. Apenas uma das 29 condenadas foi condenada ao degredo, expulsa do lugar que vivia, o que não era pouco para a época”, frisou.

 

Ligia Bellini trouxe o exemplo de uma condenada: “Seu nome era Felipa de Souza. Embora fosse casada, se envolveu com seis mulheres. Ela seduzia mulheres atraindo para sua casa. Apesar de não haver uma categorização, ela era lésbica, o que classificava de sodomia feminina na época”, esclareceu. 

 

O estudante Paulo Silva, que pretende cursar História, aprovou o tema discutido. “A História apresenta diversos fatos, sendo que esse apresentado eu não conhecia, mas é tão importante quanto qualquer contexto histórico”, destacou. Já Roberto Santos, estudante da UniJorge, acrescentou: “Não conhecia nada destes fatos, mas é bom compreendermos o passado para entendermos o presente", disse Santos.

 

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

 

Fonte: Nerivaldo Góes

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