#CSH - Aula discutiu o corpo feminino na Gazeta Médica da Bahia

11/08/2015
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Foto: Rafael Martins / SECOM
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Foto: Rafael Martins / SECOM

A segunda aula do curso Conversando com Sua História da última segunda-feira (10), promovida pelo Centro de Memória da Bahia, unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC/SecultBa), abordou os discursos dos médicos sobre o corpo feminino na jornal Gazeta Médica da Bahia durante o final do século XIX em Salvador. Com o tema "Decifra-me ou te devoro: a patologia do corpo feminino nas páginas da Gazeta Médica da Bahia", a doutora em História (UFSC) e professora Caroline Santos Silva trouxe à análise casos em que os médicos que escreviam para a Gazeta Médica da Bahia colocavam o corpo feminino como um corpo doente.

 

Segundo Caroline Santos Silva, no final do século XIX a medicina no Brasil e na Bahia ainda estava iniciando passos e os médicos ainda desconheciam muitos processos do corpo feminino. "Eles ainda desconheciam determinadas doenças, determinados processos do corpo feminino, como a menstruação, a masturbação, o desejo e sexualidade feminina. Então o discurso deles coloca o corpo feminino como um corpo doente que precisa ser cuidado, tratado e disciplinado para ser um corpo saudável, para que essas meninas fossem boas mulheres, mães e esposas”, esclareceu a professora Caroline Santos.

A professora afirmou também que para entender determinados discursos da sociedade atual é necessário recorrer ao passado e analisar de que forma a medicina colaborou para determinar os comportamentos femininos aceitáveis ou não na sociedade até os dias de hoje. “Minha motivação para fazer essa pesquisa veio justamente dos questionamentos da atualidade, porque ainda hoje o corpo feminino é um campo político de discussão. Então, todas as intervenções que a mulher em seu corpo, parece que ela tem que ter a aprovação da sociedade”, afirmou a professora, que disse ainda que questões como aborto, cuidado com o corpo feminino, a livre sexualidade da mulher, o uso de pílulas anticoncepcionais e até mesmo a idade ideal para se ter filhos ou não, surgiram a partir desse momento.  

 

“São temas para a gente entender porque existem determinados discursos machistas nessa sociedade. Precisamos recorrer ao passado e ver onde que isso começa, em que momento a medicina começa a dizer como que uma mulher deve se comportar, deve se vestir, o que deve comer, o que deve fazer. E hoje a gente tem muito disso também. Tem médicos que querem obrigar a mulher a tomar anticoncepcional ou não tomar anticoncepcional, ou dizer que idade elas tem que ter filhos ou não ter filhos. Então está completamente ligado o presente e o passado, e muitos discursos de hoje que permanecem nasceram nesse momento também”, concluiu Caroline Santos Silva.

 

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

 

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