O VII Encontro Baiano de Arquivos Municipais (EBAM) discutiu a situação dos arquivos públicos dos municípios baianos na tarde desta terça-feira (10), no Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC/SecultBa). A atividade contou com a presença da diretora do APEB, Maria Teresa Matos; da assessora técnica do APEB, Ana Cláudia Lima Cupertino; e do Presidente da Associação Nacional de História – Seção Bahia (ANPUH/Bahia), Sérgio Armando Diniz Guerra Filho.
Abrindo o debate, Ana Cláudia Lima Cupertino apresentou o diagnóstico do mapeamento dos Arquivos Públicos Municipais realizado pelo APEB, com o intuito de identificar os municípios que possuem arquivos públicos e em que condições se encontram. “O mapeamento é um elemento essencial para sabermos como estão esses arquivos, se permanecem, se o município realmente tem um arquivo público e em que condições estão, para podermos criar estratégias de ações, seja para implantar ou revitalizar”, esclareceu a assessora técnica do APEB, Ana Cláudia Lima Cupertino.
Para o presidente da ANPUH/Bahia, Sérgio Armando Diniz Guerra Filho, a atividade é de suma importância para que os municípios possam ter uma referência historiográfica de si mesmos. “A formação e a consolidação dos arquivos municipais que já existem é fundamental para a gente constituir, de um lado, conhecimento historiográfico sobre diversas regiões que ficam muito pouco representadas numa historiografia baiana muito focada em Salvador e no Recôncavo. E de outro lado, esses arquivos são fundamentais para a constituição da memória local. As comunidades precisam se referenciar nos arquivos municipais para poder construir um discurso sobre si mesmas, e não ficar dependendo das lacunas. Por exemplo, o que os livros didáticos trazem, a historiografia em grande medida, e o discurso que os outros fazem sobre aquelas regiões”, afirmou Sérgio Armando Diniz Guerra Filho.
Já a representante do Arquivo Público do Município de Itabuna, Josenilde da Silva, acredita que o VII EBAM é o primeiro passo para muitas melhorias em sua cidade. “Começamos a dar um passo para um futuro melhor e para um maior desenvolvimento dos nossos municípios. Com a parceria do Arquivo do Estado vamos ter mais andamento e um melhoramento no município, e até mesmo um incentivo aos gestores e funcionários”, disse Josenilde da Silva.
O diretor do Arquivo de São Felipe, Oséias Fernandes vê o Encontro como uma oportunidade para compartilhar experiências com outros municípios. “O encontro tem sido muito bom para que os representantes dos municípios que ainda não tem os seus arquivos já arrumados, digitalizados, aprenderem como podem fazer para criar ou melhorar os arquivos de suas cidades, através desse compartilhamento das experiências”, afirmou Oséias Fernandes, diretor do Arquivo Público Municipal de São Félix.
Maria Teresa Matos, diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia, ressaltou a importância do VII EBAM para o fortalecimento ou criação dos Arquivos Municipais, e falou sobre como a presença de representantes dos vinte e cinco municípios baianos na atividade reflete uma preocupação na consolidação dos arquivos públicos. “A proposta do VII EBAM é de criar um espaço de interlocução entre os representantes dos municípios e a Fundação Pedro Calmon por meio do Arquivo Público do Estado da Bahia, com vistas a fortalecer os arquivos já instituídos e prestar a devida assistência técnica, com vistas a criar novos arquivos. É um momento importante. Inclusive, vale ressaltar, que vinte e cinco municípios estão aqui representados, o que é extremamente significativo em um momento de restrições econômicas de âmbito nacional, e demostra a sensibilidade e a preocupação desses municípios em investirem na consolidação e fortalecimento de seus arquivos, ou, aqueles que não têm arquivos, de criar os seus arquivos”, frisou Maria Teresa Matos.
O VII Encontro Baiano de Arquivos Municipais tem como objetivo estabelecer diálogo com os gestores públicos de municípios e servidores que atuam nos arquivos públicos municipais do estado. Conferências, mesas redondas, oficinas de gestão e conservação preventiva documental são as atividades que integraram a programação que vai até esta quarta-feira (11/11), no Arquivo Público do Estado da Bahia.
Arquivo Público – Com 125 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), é a segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente consultados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público.