Conversando com a sua História inaugurou com palestrante de peso na Biblioteca Pública do Estado

15/03/2016

O curso Conversando com a sua História (CSH) está de cara nova. O Centro de Memória da Bahia (CMB), realizador do projeto, apresentou nesta segunda-feira (14), novos formato e roupagem do curso, na aula inaugural, ministrada pela professora Yeda Pessoa de Castro. O evento realizado na Biblioteca Pública do Estado da Bahia celebrou os 14 anos de existência do Conversando com a sua história, com a palestra “Yeda Pessoa de Castro: Uma vida dedicada a se dar a merecida relevância às línguas e culturas negroafricanas no Brasil”.

Logo na abertura do Conversando com a sua História, o diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, fez uma breve apresentação de quem estava por vir: “Yeda é uma das figuras mais importantes para quem deseja aprender a história das línguas africanas no Brasil”. A professora, Etnolinguista, e Doutora (Ph.D) em Línguas Africanas pela Universidade Nacional do Zaire (Congo), falou de toda a sua trajetória acadêmica até se tornar umas das mais importantes pesquisadoras nesse campo de estudo, e a única nesta especialidade.

Na ocasião, ela não deixou de lembrar dos negros que fizeram parte de sua vida, como Nelson Maleiro, fundador dos blocos Carnavalescos “Cavaleiros de Bagdá” e “Mercadores de Bagdá”, e o quitandeiro Procópio do Ogunjá, que foram essenciais no despertar do interesse da professora em pesquisar sobre as línguas africanas no Brasil.

Com mais de quatro décadas dedicadas à investigação sobre línguas e culturas africanas, ela contou: “as pessoas costumam acreditar que apenas aquilo que está escrito em letras é tido legitimado, e esquecem as outras formas de escritas, as outras linguagens, como as danças, gestos, desenhos, tatuagens, sons dos tambores. É por isso que há tanto preconceito com o que é folclórico e com as religiões de matriz africanas, que não tem escritos como a Bíblia, o Alcorão, por exemplo”.

Yeda, que divulgou para o mundo a importância de se estudar a participação das línguas africanas no Brasil, revelou que a língua substancia o espaço da identidade, e quando se conhece a língua que se está falando, conhece melhor sobre a história. “As línguas africanas tiveram grande importância na construção da nossa identidade”, disse a professora que ainda deu exemplos que algumas palavras de origem angolana, como caçula, tanga, canga, chuchu, jiló e cachaça.

O estudante de História, Cleber Oliveira participou do Conversando com a Sua História pela primeira vez e gostou tanto que prometeu voltar e convidar os colegas da universidade. “Tenho muito interesse em estudar a relação entre o Brasil e os países africanos, e essa palestra contribuiu muito para a minha formação como historiador”, ele disse. A pesquisadora e mestre em História, Debora Kelman revelou que sempre que pode comparece ao bate-papo. “O projeto já é referência e atualiza o conhecimento acadêmico e pessoal. Sendo Yeda a palestrante, eu não poderia deixar de comparecer”, ela disse.

O diretor do CMB, Rafael Fontes, destacou que o curso Conversando tem presença importante no campo historiográfico de Salvador e com número expressivo de participantes. “Agora, com essa ampliação, é como se o projeto se tornasse uma roda de conversa. Ampliamos o leque de temas e também o ampliamos fisicamente. Antes, o CHS era apenas em Salvador, e agora, acontecerá quinzenalmente também no interior do Estado. No primeiro dia de palestra que inaugura essa nova roupagem, não poderíamos deixar de trazer alguém tão importante para a história”.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

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