#CSH - Construção do Estado, banditismo e pequenas insurreições foi tema de debate

26/04/2016

O último Conversando com a sua História do mês de abril tratou da ‘Construção do Estado, banditismo e pequenas insurreições na Bahia, de 1822 a 1849’, nesta segunda-feira (25), na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. O projeto, de autoria do Centro de Memória da Bahia – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado, teve como palestrante o doutorando em História, e professor de história no Instituto Federal da Bahia – Camaçari, Igor Gomes.

 

Na ocasião, Igor explicou todo o contexto histórico da independência da Bahia que, inicialmente, recusou a adesão no processo de independência, por entender que seria, na verdade, um novo tipo de colonização, vinda do Rio de Janeiro para a Bahia. Os grupos favoráveis ao fim da colonização enxergavam na transformação liberal lusitana um importante passo para que o Brasil atingisse sua independência. No entanto, os liberais de Portugal resistiam à onda mudancista ao Estado português, defendendo a reafirmação dos laços coloniais.  

 

Também foram discutidas as consequências sociais que transformaram a guerra civil de descolonização em uma guerra social, em que os grupos sociais subalternos fizeram uso de uma variedade de ações armadas e ilegais contra a propriedade e contra a segurança pessoal de cidadãos.

 

Como afirmou Igor, não só belos hinos sobre a Independência marcaram a época. “No meio de um ziguezague político, surge o Exército da Bahia – brasileiro, com patentes formadas por senhores de engenho. Era um exército completamente indisciplinado, tinham armas antigas, velhas de má qualidade”, disse o professor.  Igor explicou que a entrada por mar foi barrada, e com isso, faltaram alimentos para a população. “Além disso, faltava fardamento, armas e tática de guerra na batalha, que durou um ano e alguns meses”, ele disse.

 

Formação - O exército era formado basicamente por populares, índios, negros, pardos, camponeses que eram recrutados para a guerra. No recrutamento, havia o ‘perfeito réu de polícia’, que no geral eram homens que não tinham trabalho, família e residência fixa, onde a cor e a idade influenciavam bastante. Quem fugisse do recrutamento, ou desertasse, já era tido automaticamente como criminoso. “Tínhamos um exército sem armas, de homens subnutridos e que, na primeira oportunidade, buscavam a fuga, uma forma de vida autônoma num contexto de guerra em que vivia a Bahia do século 19”, contou Igor.

 

Além disso, havia desobediência, ausência de hierarquia, e até mesmo greve por falta de recursos e pagamentos. “Os militares eram a ralé da sociedade. No entanto, a ralé armada da sociedade. Há relatos de um oficial que chegou a ficar cerca de cinco meses nu, por ter suas vestes roubadas, até que alguém lhe doasse novas. Era hábito descaminhar (vender) as fardas, armamentos e botas. A população dos vilarejos chegou a ficar contra o exército, já que uma parte deles destruía lavouras, roubavam roupas, animais e cobravam uma espécie de pagamento aos populares, por estarem trabalhando. Eles tentavam lucrar e enriquecer”, disse Igor.

 

O historiador Wellington Nunes, falou sobre a importância da temática no CSH: “É importante falarmos e estudarmos a história da Bahia, como se deu esse processo de Independência. Aqui me atualizo sobre informações da temática e entendo melhor o contexto que vivemos hoje”, disse. A professora Mariana Carvalho contou que a palestra foi bastante esclarecedora: “É uma parte da História que ainda não está nos livros, que não entendemos ainda completamente, por isso é importante se informar”, frisou.

 

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

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