Iniciando o clico de debates em homenagem ao Dia da África – 25 de maio, o Conversando com a sua História de segunda-feira (02/05) foi com a antropóloga, bailarina e mobilizadora social, Luciane Ramos Silva, que falou sobre a ‘Guiné em movimento: Coreografias sociais, deslocamentos e fruição de saberes através dos balés nacionais’, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. O projeto é de iniciativa do Centro de Memória da Bahia– unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado e se insere na programação paralela à Exposição “Viagem a Timbuktu - Fotografias de Edmond Fortier - Da costa da Guiné às margens do Saara em 1906” (saiba mais), dedicada à obra do fotógrafo francês Edmond Fortier (1862-1928), que estará em cartaz na Biblioteca de 4 de maio a 22 de junho.
A antropóloga e bailarina, que fez estudos e pesquisas nos Estados Unidos, no Senegal, Burkina Faso e Guiné-Conacry, iniciou a conversa falando sobre este último, um país da África Ocidental que foi colônia francesa até 1958, vindo a ser uma das primeiras a conquistar a independência. Liderados por Ahmed Sékou Touré, líder do Partido Democrático da Guiné, o povo da Guiné decidiu rejeitar a proposta de permanecer a uma Comunidade Francesa. Sékou Touré se tornou o primeiro presidente do estado-nação.
Luciane explicou que o carro-chefe no modelo de estado-nação, era incorporar uma multiplicidade cultural nos balés. O objetivo de Sékou Touré era promover as artes africanas, balés fundamentados na dança, na música e no teatro, vindo a ser o pioneiro a integrar as artes, o que quebrou a ideia ocidentalizada sobre a dança, indo assim, na contramão dos balés de outros países. “As danças falam dos contextos das aldeias. O chefe de estado tinha a ideia de distanciar a pertença étnica da experiência religiosa, tenta apagar a feição espiritualizada, que era o fundamento das danças”, contou a antropóloga. No entanto, em diversas culturas africanas, o pertencimento étnico é anterior, e se mostra mais importante, inclusive, do que o pertencimento nacional.
Sobre as danças apresentadas, Luciane contou que ao balé eram incorporadas formas de sintetizar o ‘ethos’ (caráter moral, do grego) de uma nação, ou seja, os costumes e os traços comportamentais que distinguem um povo, seu conjunto de hábitos e crenças. “As coreografias são sistematizadas, com corporeidades, técnicas, organizações corporais, que levam a sistemas de produção de conhecimentos africanizados, tais essas, que não são naturais da aldeia, ou seja, há uma espécie de adaptação para o palco”, explicou a antropóloga.
A estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Alana Barbosa, contou que “apesar de não se interessar tanto por dança, achou a palestra muito positiva por se tratar de danças e culturas africanas”. Já o estudante de História Hélio Queiroz, contou que “É sempre importante conhecer um pouco mais sobre um continente que influenciou tanto a nossa cultura. Entender um pouco das artes africanas é conhecer um pouco de nossa identidade também”. A programação de debates especiais sobre a África segue nesta semana e o próximo encontro será no dia 6, ((sexta-feira), 17h, com Daniela Moreau e Nicolau Parés, com o tema “Fotografias de Fortier no Daomé”. Saiba mais aqui.
Sistema - As bibliotecas públicas integram o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, gerido pela Fundação Pedro Calmon – Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA). O Sistema é composto por seis bibliotecas públicas estaduais localizadas em Salvador, sendo uma delas a Biblioteca de Extensão com duas unidades móveis, uma no município de Itaparica e uma biblioteca virtual especializada na história da Bahia (Biblioteca Virtual Consuelo Pondé). O Sistema também presta assistência técnica para mais de 450 bibliotecas municipais, comunitárias e pontos de leitura, além de cursos de capacitação para os funcionários destas unidades.
Fotos: Laísa Costa