#Timbuktu - Africano Mahfouz Ag Adnane apresentou a história de resistência tuaregue no Conversando com a sua História

12/05/2016

Fechando o clico de debates temáticos sobre o continente africano do curso Conversando com a sua História, o mestre em História Social Mahfouz Ag Adnane apresentou ontem (11), o resultado da sua pesquisa sobre “A questão Tuaregue (Kel Tamacheque)”. A atividade fez parte da programação que acontece durante todo mês de maio, em homenagem ao Dia da África – 25 de maio – e integra a série de ações da Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado.

Mahfouz é Tamacheque, povo que reside em países da África, grande parte no deserto do Saara, como Argélia, Mali, Niger, Líbia e Burkina Faso. A região é conhecida pela série de revoltas e lutas por autonomia que ocorrem desde a década de 60, quando Senegal e Mali alcançaram a independência da França. Uma delas é Rebelião Tuaregue, no norte do Mali, ocorrida de 1962 até 1964.

Durante o Conversando, Mahfouz falou sobre a resistência tamacheque diante do colonialismo francês desde os primeiros momentos da invasão colonial aos seus territórios. “A crise é de herança colonial. A configuração dos países africanos não levou em conta as sociedades existentes. Na divisão de fronteiras da África, diversas comunidades foram divididas também, e cada sociedade em sua territorialidade lutou contra a colonização. Nunca nos submetemos à colonização e isso gerou luta armada. Nós recusamos qualquer ligação com a França”, disse Mahfouz.

De acordo com o mestre em História Social, na década de 1960 os tamacheques enviaram cartas e petições, que foram negadas pelo governo do Mali de Modibo Keïta. “Nós queríamos autonomia, autogestão e um país federalista, e tudo foi negado. Ao contrário, o exército do Mali fez uma chacina, mataram cerca de mil pessoas e como punição, juntavam as pessoas no meio da rua, num sol escaldante desde o meio-dia às 16h, e a noite, recolhiam as mulheres para servirem sexualmente aos soldados”, disse Mahfouz.

Com isso, inúmeras crianças nasceram e se colocaram contra o governo do Mali, e em 1990 começou novamente uma luta armada, que foi ganha pelos tuaregues militarmente, mas não politicamente, já que a vitória não foi aceita pelas autoridades internacionais. De acordo com o especialista, em 2012 foi criado o Movimento Nacional de Libertação Azawad, formado por estudantes e intelectuais militantes pela autonomia do povo tuaregue. Em 2013 foi firmado um novo acordo onde se exigia a integração territorial do Mali federativo, além de reunião com o Movimento Azawad. “No final das contas não houve negociação, nem autonomia e nem federalismo”, contou Mahfouz.

O professor de história, Alexandre da Silva Santos, foi conferir o Conversando com a sua História. “Tudo que se refere à África, me interessa. Temos uma curta visão sobre a história do continente, e temos que entender a cultura de cada povo. Nas escolas, o início do estudo sobre a África foi muito tardio”, disse o professor.

Estudante de doutorado na  Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mahfouz é mestre em História Social, pela mesma universidade, e mestre em História Africana Contemporânea pela Universidade do Cairo. É membro e pesquisador do núcleo Amanar da Casa das Áfricas e membro do CECAFRO, Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora. 

 


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