Rota percorreu mais de 800Km levando a história da independência a sete municípios

01/07/2016

Com mais de 800km percorridos, a Rota da Independência finalizou sua viagem disseminando a leitura, a história e divulgando a memória da independência do Brasil na Bahia em sete municípios que integraram as batalhas em todo estado. A última parada foi na última quarta-feira (29), no município de Caetité, que teve importante participação, apoiando o governo provisório instalado na Vila de Cachoeira. Na programação, que contou com a presença da Biblioteca Móvel, unidade da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, na cidade, teve ainda apresentação teatral e de música para a população.

As ações da Fundação Pedro Calmon em Caetité tiveram início com o Encontro Territorial de Arquivos, no Arquivo Público Municipal, com a presença da diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), Teresa Matos, e a assessora técnica da unidade, que coordena as ações juntos aos Arquivos Municipais, Ana Cláudia Cupertino. Na ocasião, foram apresentados os serviços prestados pelo APEB na assistência aos Arquivos dos municípios, em uma ação que visa estreitar o diálogo com os gestores públicos de municípios e servidores que atuam nos arquivos públicos municipais. Estavam presentes representantes dos municípios de Caetité, Brumado e Guanambi. Para retomar a assistência ao Arquivo Municipal de Caetité, será renovado convênio entre a instituição e a Fundação Pedro Calmon.  

No auditório da Casa Anísio Teixeira, ainda pela manhã, bibliotecários, gestores e servidores que atuam com ações de leitura e bibliotecas – municipal e escolares – participaram de reunião promovida pela coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), Maria Cristina Santos, e a coordenadora do Livro, da Diretoria do Livro e Leitura, Neusa Martins – ambas vinculadas à Fundação Pedro Calmon. Na oportunidade, foram traçados os primeiros passos para a construção do Plano Municipal do Livro, Leitura e Bibliotecas. Como desdobramento do encontro, será formado um Grupo de Trabalho municipal, que contará com a consultoria técnica da Fundação para a consolidação de um Plano a ser apresentado à Câmara de Vereadores no intuito de constituir legislação para o setor.

Ludicidade e História

O teatro ficou por conta da Cia de Teatro Finos Trapos, que encenou a peça “Histórias Estoriosas”, com personagens da independência, levando um outro olhar do 2 de julho para crianças e jovens caetiteenses. Atores, caracterizados, visitaram escolas na cidade para mobilizar o público de estudantes, que se concentrou no Parque das Árvores, região central do município, para assistir a aula espetáculo sobre o Dois de Julho. Para tornar o tema mais acessível, a aula contou a história da independência do Brasil na Bahia e de seus personagens históricos e míticos, registrando sua importância para a luta histórica. “Acho que Caetité merecia esta articulação, neste nível, tivemos um público muito diverso aqui. É muito importante ocupar uma praça para tratar de um tema como o 2 de julho numa perspectiva teatral. Espero que isso se repita para inserir nossa região nesse contexto histórico”, enfatizou a professora de Letras, na Uneb, Zélia Malheiro. O estudante de Matemática, Renan Santos também aprovou as ações. “Uma iniciativa muito bacana essa de aproximar essa cultura dos jovens estudantes daqui, muitos não conhecem a própria história e trazer a biblioteca pra cá para incentivar a leitura foi muito importante”, disse.

Mais de 500 pessoas, dentre estudantes e professores, assistiram a aula, que foi seguida por apresentações culturais locais, a exemplo do Grupo Ocotô – Projeto Arte e Eu, com um fragmento do espetáculo “Luz, Dança e Sertão” e o Conservatório de Música Anísio Teixeira, que levou o Quarteto de Cordas para apresentação de quatro peças de música brasileira. A apresentação contou com orientação do monitor, Ítalo Teixeira. Ao logo das apresentações, a Biblioteca Móvel ficou lotada de crianças e jovens, que visitaram a unidade e participaram de brincadeiras e jogos educativos sobre a independência. À noite, para um público de cerca de 80 pessoas, alunos e professores do Centro de Formação em Artes (CFA), vinculado à Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBA), apresentaram sob muitos aplausos e pedidos de bis, músicas populares com sua linguagem instrumental.

Fundação leva diretorias e ações por meio da Rota da Independência

A Fundação Pedro Calmon compartilhou, ao longo de todo dia 29 de junho, com Caetité, a vitória baiana que ocorreu em 1823. Uma cidade que vive o 2 de julho de forma mobilizada e intensa desde o dia 1º. Assim, o Festival “2 de Julho é Todo ano, 2 de Julho é Todo dia”, como foi chamada a caravana literária-artística da Fundação ao longo de toda Rota, uniu-se ao clima de festejos que já começa a tomar conta da cidade. Foi lá onde se deu o episódio histórico conhecido como “Mata-Maroto”, extermínio de portugueses que seguiram até 1823. O termo “maroto” tinha um duplo significado: tanto “marinheiro” como “tratante”, e era utilizado pejorativamente para denominar os portugueses. O diretor geral da Fundação, Zulu Araújo, falou da ida da Fundação ao município. “Este ano, além de celebrar, estamos trazendo nosso trabalho cotidiano e institucional. Viemos dialogar com o Arquivo Público Municipal, com as Bibliotecas municipais, comunitárias, e dialogar também quanto os arquivos municipais, com a presença do Centro de Memória. Aqui em Caetité nós temos arquivos privados monumentais e fundamentais, como o de Anísio Teixeira, Rodrigues Lima, Nestor Duarte e o Barão de Caetité”, frisou.  

Para o diretor do Centro de Memória da Bahia, Rafael Fontes, a visita é um reconhecimento. “O 2 de julho é um elemento vivo que se renova a cada ano e a Rota reconhece as festividades que ainda ocorrem na Bahia, como aqui em Caetité, com sua forte celebração com a cavalgada, a volta a cabocla, então a passagem da Rota é um reconhecimento desta importância municipal para a celebração da independência do Brasil na Bahia”, enfatizou Rafael Fontes.

Referência nas ações voltadas para a leitura, Caetité foi elogiada pela coordenadora do Sistema de Bibliotecas Públicas, Maria Cristina Santos. “Aqui em Caetité nós vemos que o município já está em um bom caminho, ao ter bibliotecas em suas escolas fazendo atividades de leitura com suas crianças. Muito positiva nossa reunião para implantar o Plano Municipal do Livro, Leitura e Bibliotecas e seguiremos com a assistência a Caetité para fortalecer esta rede”, frisou. Neste contexto, o Ilê Axé DanaDana, terreiro localizado no centro da cidade, recebeu kits livro da Fundação para composição de sua biblioteca, projeto em andamento no templo religioso.  A doação se estendeu também à Biblioteca Municipal de Caetité, que recebeu um kit.

“Ficamos muito felizes em ver esta participação popular aqui, pois Caetité comemora o 2 de julho há 100 anos, então esta é uma data muito significativa para nós, dá um sentido de pertencimento muito grande. Conseguir selar esta parceria foi algo fantástico e esperamos que Caetité continue na Rota”, concluiu Tião Carvalho, secretário de Cultura de Caetité.

Rota - Realizada pela Fundação Pedro Calmon/SecultBA, a Rota visa reforçar na memória dos municípios que participaram das lutas pela Independência do Brasil na Bahia, seus respectivos papéis no processo, fortalecendo o senso cívico e cultural dos mesmos. Com o tema 2 de Julho é todo ano, 2 de Julho é todo dia, a Rota 2016 contou com a parceria da Fundação Cultural da Bahia (Funceb) e do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac) e revisitou algumas dessas cidade, levando uma programação com música, arte e oficinas de leitura, de 13 a 30 de junho. Foram visitados pela Rota os municípios de: Santo Amaro, São Francisco do Conde, Cachoeira, São Felix, Maragogipe, Itaparica e Caetité. 

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