Relatos de memórias da Ditatura Militar dão início ao Conversando com a sua História

04/08/2016
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O primeiro Conversando com a sua História de agosto aconteceu na quarta-feira (3), com o antropólogo e artista plástico, Renato da Silveira, que falou sobre “Caminhos da memória de um passado recente: sobreviventes da ditadura na Bahia”. Neste mês, o projeto, de autoria do Centro de Memória da Bahia – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, será Especial sobre a Ditadura Militar na Bahia.

Sobrevivente da Ditadura Militar e ex-preso político na Penitenciária Lemos de Brito, Renato da Silveira contou sua experiência como militante no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). “Era uma associação clandestina que propunha a luta armada para derrubar a ditadura militar. O nosso feito mais conhecido foi o sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick. Além de luta armada, também éramos uma organização política.”

“O golpe inicialmente visava os políticos que tinham compromissos com movimentos sociais, sindicatos e universidades que promoviam tecnologia, já que a lógica era a importação de fora das grandes tecnologias. Depois, em 1968, começaram a reprimir a cultura e os artistas. Já que as instituições de comunicação já estavam fechadas ou censuradas, sobraram as artes para exprimir as insatisfações com o regime”, contou o antropólogo. Nesse período, teatros foram invadidos; a 2ª Bienal da Bahia, onde Renato trabalhou expondo suas artes, foi fechada pelo regime; e houve censura à música,  levando Gilberto Gil e Caetano Veloso a serem exilados do país, como relembrou Renato.

Memórias - As marcas deixadas no antropólogo pelo regime ditatorial foram muitas. Preso três vezes nesse período, ele teve que se exilar na França, onde ficou cerca de oito anos. “Batalhei muito para conseguir o passaporte, tive que contratar uma advogada que levou seis meses para conseguí-lo, já que não fui exilado pelo regime, saí por conta própria. A marca mais forte que a ditadura deixou em mim foi a neurose com a polícia. A violência se impregna na sua memória muscular”, contou Renato, que foi torturado pelo regime.

“A ditadura também deixou uma série de heranças no país que vemos as consequências até hoje. Um congresso corrupto, já que eles fecharam o congresso nacional, atraíram oportunistas que cuidavam dos seus próprios interesses, da mesma forma que vemos hoje. Herdamos também a Rede Globo, que começou a funcionar um ano após o golpe, criada com objetivo de falar para todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, e ainda hoje tem esse papel nefasto para a democracia brasileira”, disse Renato.

O historiador Gilberto Couto, contou que foi assistir a palestra por se interessar pelo tema: “Estudo e pesquiso sobre a ditadura militar na faculdade, assistir o Renato falar é conhecer mais sobre a história e agregar conhecimentos sobre”. Já a estudante Aline Medeiros, destacou que: “Estou estudando sobre a história do Brasil, especialmente sobre o período ditatorial militar, então vim aprender mais sobre esse momento histórico e o que ele representou para o nosso país”. 

O Conversando com a sua História continua na próxima segunda-feira (8), às 17h, com o jornalista, escritor e doutor em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Emiliano José, dará a palestra “Memórias do Subsolo: histórias de um tempo de esperança e dor”. O jornalista apresentará sua experiência como militante político e pesquisador dos temas relacionados à Ditadura Militar, publicados em sua série “Galeria F”, que conta sua experiência como prisioneiro durante quatro anos na galeria que fica na Penitenciária Lemos de Brito. Veja aqui toda programação.

Foto: Laísa Costa/CMB-FPC

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