Coleção UNIAFRO é lançada na Biblioteca dos Barris com debates e presença de pesquisadores

05/08/2016
DSC_008 Temáticas como o cumprimento da Lei nº 11.645, que torna obrigatório o ensino da História, Cultura Afro-brasileira e Indígena nas escolas de educação básica e a visibilidade dos povos indígenas foram tratadas no lançamento da Coleção UNIAFRO, na tarde desta sexta-feira (5), na Biblioteca dos Barris. Com produção de mais de 300 autores de diversas instituições do Brasil, além de contribuições internacionais, a Coleção reúne 22 livros com esta temática e tem organização geral de Antônio Liberac e Rosy Oliveira. O lançamento foi realizado pela Biblioteca Virtual Consuelo Pondé – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (NEAB-UFRB). (Foto - Amanda Moreno)

 

Para dialogar com o público sobre as obras, a doutora em História pela Universidade Federal de Pernambuco e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiros e Indígenas da Universidade Federal da Paraíba (NEABI-UFPB), Solange Rocha, falou sobre a Lei 11.645 e a Coleção: “A gente espera que o Estado brasileiro possa, efetivamente, cumprir a lei com qualidade. A Coleção foi elaborada, tanto para o ensino quanto para a pesquisa, um verdadeiro trabalho de interlocução. É importante ampliar a existência histórica e humana dessas pessoas”, disse. Solange foi responsável por organizar o livro “Diáspora africana nas Américas”, que contou com texto de 11 autores. "Acreditamos que essa coletânea representa o direito à cidadania. A história dos africanos em África e na Diáspora, assim como a história dos povos indígenas, representam a formação da cidadania de nossa sociedade. Negar a história desses povos é tolhir a cidadania e o espírito democrático", enfatizou o diretor da Biblioteca Virtual, Clíssio Santana.


txEducação - “A Coleção busca contribuir para o debate que envolve a aplicação da lei. Debate este que implica repensar o processo histórico desse país, e a educação tem um papel fundamental nesse processo. Tivemos a preocupação de fazer um texto que pudesse ser lido por diferentes públicos e com conteúdo de qualidade”, disse Fabrício Lyrio Santos, professor da UFRB nos cursos de Licenciatura em História e Mestrado Profissional em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, que assina o livro “Os índios na história da Bahia”. Fabrício destacou ainda que a grande questão não é “preencher o vazio” da história indígena, e sim mudar a visão que temos deles na história. “Devemos também desconstruir a ideia de que o índio ficou parado no tempo. Ouço dizer que, se fala português, usa celular, veste roupa, não é indío. Essa é uma visão equivocada”, disse o historiador. (Foto - Amanda Moreno)
Religiosidade –“As vinte e uma faces de Exu na Filosofia afrodescendente da Educação” é o livro assinado pelo pós-doutor em Educação pela UFPB, professor de Filosofia da Educação e Filosofia da Ancestralidade da UFRB, Emanoel Luís Roque Soares. Na ocasião, o filósofo contou como se deu o processo de produção do exemplar: “O livro é minha tese de Doutorado, que foi construído, praticamente, dentro de um Terreiro de Candomblé. Pensamos muito errado a respeito de Exu, o Orixá da reprodução. Creio que essa negatividade se deve ao fato dos jesuítas o associar como uma figura maligna. Comecei estudando os deuses gregos e, no meio do caminho, percebi que com tantos deuses – Orixás – na Bahia, eu não precisava ir tão longe, já estava tudo pronto aqui para ser estudado”. (Foto - Amanda Moreno)
Emanoel também fez críticas ao modelo atual de ensino na educação básica e sobre o movimento “Escola sem partido”: “Na escola não se sabe sobre os Orixás, sobre os índios. Na educação básica eles fazem como os jesuítas, querem catequizar os alunos, são contra o ensino de afro descendência e da cultura indígena. Na escola estudamos sobre pensadores de todo o mundo, mas não falamos de nós mesmos”. Sobre o movimento, Fabrício Lyrio contou que “a Lei 11.645 é um contraponto de tudo que vem sendo colocado nesse país nas iniciativas que se autodenomina como ‘escola sem partido’. Quem prega isso não conhece nada sobre a escola, sobre educação e sobre o que é partido”.

 

txtOportunidade - A historiadora Márcia Contreira, presente no debate, falou sobre sua motivação em ir ao lançamento: “essa Coleção é muito importante, tanto para o ensino básico, quanto para o ensino na Academia. Falar sobre a nossa história, sem um viés europeu como é tratada na escola, é muito importante para criação de um senso crítico de como se deu o processo de colonização nesse país”. Já o professor Fernando Meira, destacou que “o que se ensina na escola é uma história completamente deturpada sobre os fatos reais. As pessoas se formam na escola, entram na faculdade, sem conhecer a história real do país e debates assim são necessários para que as coisas mudem na educação”. (Foto - Laísa Costa)

Para a organizadora do livro “Formação cultural: sentidos epistemológicos e políticos”, que integra a coleção, de autoria de Rita de Cássia Dias Pereira Alves, a coleção é especial. “São intelectuais negros e negras que produziram conhecimento da mais alta qualidade e de profunda responsabilidade. Que esse compromisso que assumimos aqui hoje seja atualizado todos os dias”, frisou. O organizador geral da coleção, Antônio Liberac falou da importância do trabalho. “Os professores precisam estar preparados para aplicar as leis e formar esta juventude para que ela seja cada vez mais crítica e transformadora, conhecedora de si. Este foi o nosso objetivo primeiro”, pontuou Liberac, apresentando cada obra e seu conteúdo para o público. O organizador falou ainda da comercialização da coleção pela Editora Fino Traço, após a distribuição do acervo em escolas públicas e Universidades, além de projeto futuro de digitalização das obras.

A partir desta sexta (5), a Coleção UNIAFRO estará no acervo de todas as Bibliotecas Públicas do Estado e do Arquivo Público do Estado, geridos pela Fundação Pedro Calmon.

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