A memória do culto afro-brasileiro de Nação Congo-Angola (ou apenas Angola) na Bahia estará em pauta nos próximos dias. Isso por que, o Terreiro Bate Folha - Manso Banduquenqué abre as celebrações em torno dos 100 anos da Casa. Durante o centenário, o Terreiro promoverá atividades que visam resguardar a memória e apresentar a história do Terreiro, pontuando a tradição que possui no culto afro baiano, principalmente, no Candomblé Congo-Angola, de tradição bantu. Serão realizadas mesas redondas, palestras, performances culturais e conferências para debater e fomentar o legado histórico da religião. Também, estão previstos os lançamentos do projeto memorial arquivistico do Bate Folha, selo personalizado do centenário, documentário e exposição fotográfica sobre a história do Terreiro. A programação vai ser estender por todo ano do centenário, sendo iniciada no final do mês de novembro.As atividades contam com apoio da Fundação Pedro Calmon, vinculada a Secretaria de Cultura e da Secretaria de Políticas para as Mulheres, com a proposta de preservar o legado histórico dos 100 anos do Terreiro e sua importância para a salvaguarda do culto afro brasileiro.
O diretor geral da Fundação, Zulu Araújo comenta que “as comunidades dos terreiros são portadoras de uma memória coletiva e a participação da FPC é no sentido de fortalecer o resguardo destas fontes, que possuem saberes históricos”. Ele ainda reforça, pontuando que “também é missão da Pedro Calmon e do Centro de Memória da Bahia abrigar a memória cultural e sagrada da Bahia, resguardando os princípios a partir dos conceitos de identidade social”.
Programação – O primeiro encontro será no dia 24 de novembro, a partir das 14h, na Assembléia Legislativa da Bahia, na sessão solene proposta pelo deputado estadual Bira Coroa. Já no domingo, 27, acontece a Missa na Igreja Rosário dos Pretos, Pelourinho, a partir das 9h. No sábado seguinte, 03, acontece a abertura da exposição fotográfica "100 anos depois", de Marisa Vianna, apresentando alguns dos registros realizados no Terreiro, nos últimos dois anos. Este lançamento integra o conjunto de ações que ocorrerão durante o Seminário dos 100 anos do Bate Folha, nos dias 03 e 04 de dezembro.
O Seminário tem a proposta de promover um espaço de dialogo sobre a história da Casa, assim como, discussões a cerca do culto de matriz africana com origem em Angola, amenizando alguns conceitos folclóricos.
O Tatá Muguanxi, zelador do Terreiro, comenta que tal evento é importante, pois marca os cem anos da Casa. “O Seminário é o momento no qual a Casa vai receber seus filhos e a comunidade para juntos falarmos dos 100 anos e das pessoas que construíram estes 100 anos”, comenta o líder religioso do Bate Folha.
Bate Folha - O Terreiro foi fundado em 1916 e atualmente, encontra-se sob a gestão do seu sexto sacerdote, Tata Muguanxi (Cícero Lima). Localizado no bairro da Mata Escura, é o maior terreiro da cidade de Salvador, em extensão territorial, e, um dos mais antigos da capital.
Dedicado ao Inquisse Mbamburucema, a Casa possui a maior área urbana remanescente de Mata Atlântica, com, aproximadamente, 15,5 hectares, cerca de 70% de área total.
Foi tombado como patrimônio nacional, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 10 de outubro de 200, por se reconhecido como bem cultural.
Também reconhecido como Território Cultural Brasileiro pela Fundação Palmares e como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Manso Banduquenqué é um importante centro de culto afro-brasileiro de Nação Congo-Angola.
Foto: Marisa Vianna