#EscritoresEscolares - Verena Prazeres, 13 anos, apresenta "A Preta do Dique"

16/11/2016

Moradora de Itaberaba, 13 anos, a estudante do 8º ano, Verena Prazeres, de Itaberaba, faturou o 3º lugar no III Concurso de Escritores Escolares. Ela ganhou na categoria Redação Fundamental II, com o texto “A Preta do Dique”.

 

O tema? Intolerância Religiosa, dando destaque àquela envolvendo as religiões de matriz africana. Apesar desta ser a temática principal no texto, Verena também perpassa  pelo racismo e preconceito contra a cultura africana. A estudante da Escola Intelectus conta que a ideia surgiu de experiências pessoais sofridas por ser da religião do Candomblé.

“Coloquei como protagonista uma mulher negra porque aprendi que, por conta da escravização dos negros, tudo de sua cultura passou a ser visto de forma ruim. A minha personagem é negra e da religião de matriz africana, por serem critérios mais suscetíveis a todos os tipos de preconceito”, explica a estudante.

“Essa dúvida era o que me fazia ficar angustiada. Imagine uma “preta”, cabelo “duro” e ainda por cima fazer parte da religião mais criticada no Brasil. Os que não a conhecem, o que poderia fazer?”.

O texto narra história de uma garota da religião do Candomblé que, após se sentir cansada de tanto sofrer intolerância religiosa, resolve descobrir onde, afinal, os outros pensam que Deus estaria.

Na redação, a personagem questiona estranhos na rua, indagando-os, também, o que cada um deles pensa que seria religião. Ao longo de sua jornada, ela se emociona e se decepciona com as respostas que obtém e resolve montar um espaço maior para dar continuação a esse debate, convidando a população para discutir o tema no Dique do Tororó, em Salvador. Essa é a primeira vez que Verena recebe prêmio em Concurso.

“Nunca pensei que fosse possível ganhar, pois estava competindo com toda a Bahia. Foi muito bom, pois soube que tem alguém que gostou do trabalho que eu fiz e que acredita no meu potencial”. Não foi fácil, pois não é um concurso pequeno, e saber que todo o meu empenho valeu a pena é muito bom”, comemorou.

A jovem ainda comentou que muitos colegas falaram sobre o prêmio, mas que não se importava muito com isso. “Eu participei não para ganhar, mas para mostrar o meu trabalho. Mesmo se eu não fosse premiada, foi uma grande oportunidade só de estar participando, pois esse projeto motiva as crianças a escrever e nos dá oportunidade de termos visibilidade e sermos convidados para trabalhos ainda mais sérios”, explica.

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