Misturando redação e poesia, a jovem Thaylane Gleice Santos da Silva, mostrou seu diferencial com uma narrativa delicada e detalhada sobre os sentimentos provocados em uma jovem pela saudade da sua avó ‘Mãe Branca’. Seu texto, intitulado “Serra a Dor”, lhe rendeu a Menção Honrosa na categoria Redação do Ensino Médio no III Concurso Escritores Escolares.
Ao longo da história, a estudante narra características da avó, relembradas pela personagem, e o vazio deixado pela sua morte. “É fácil recordar as sardas da tua pele, as rugas que floresciam ao redor dos teus olhos, teu cabelo arruivado e me inflar de orgulho ao observar o meu nariz, amassadinho e tão parecido com o teu. Ah, Mãe Branca..”, diz o texto.
As memórias da infância e a época vivida ao lado da avó também são descritas. Em um dos momentos, a personagem revive uma lembrança e fala sobre “a imagem daquela pequena menina mordendo a parte interior da bochecha e lhe puxando as saias ao pé do tanque de lavar roupa para pedir ‘Vovó, me ensina a rezar’”.
Estudante do Centro Educacional 30 de julho, em Serrinha, a estudante de 17 anos do 3º ano do ensino médio conta que foi a sua professora, Ana Lídia, quem lhe incentivou a se inscrever no concurso. “A professora surgiu com a notícia do concurso na escola. Eu ia escrever outra coisa, mas estava próximo do aniversário da minha avó e eu queria homenageá-la. Então, escrevi sobre o meu relacionamento com ela”, explicou.
Apesar desse não ter sido o seu primeiro prêmio em um concurso, Thaylane conta que foi muito bom ser premiada. “Foi meio que uma resposta, já que eu sou acostumada a escrever poesias sociais e me aventurei em um gênero que não é muito a minha praia. Acabei escrevendo algo mais voltado para o conto”, explicou.
A primeira reação da jovem ao saber o resultado foi agradecer à sua professora e orientadora. Logo depois, foi a vez de contar para a família. “Liguei para minha avó para dar a notícia. Ela ficou muito feliz, minha mãe e ela fizeram até uma comemoração para mim”, contou animada.
Esperando a resposta do outro concurso que participou e no qual chegou às finais, a estudante conta que fica muito feliz com premiações voltadas à escrita de jovens e crianças. “Eu acho fantástico, porque acaba incentivando a escrita entre os jovens e os adolescentes, e nós vemos muito pouco disso na Bahia. São poucos os concursos para os jovens se expressarem no nosso estado”, opina Thaylane.
Saiba mais sobre o III Concurso Escritores Escolares, realizado pela Diretoria de Livro e Leitura da Fundação Pedro Calmon-SecultBA.
Foto: Acervo Pessoal