Agora cidadão baiano, Paulo Paim é o único senador negro no país

18/11/2016
“Sim, sou negro. Meus descendentes vieram do berço da civilização, vieram da África”. Com a emoção na voz, o senador Paulo Paim (PT) assim iniciou sua fala ao receber o título de cidadão baiano, entregue pela deputada estadual Fátima Nunes, do mesmo partido. A cerimonia aconteceu na manhça desta sexta (18), na Assembleia Legislativa e reuniu parlamentares, representantes governamentais e da sociedade civil, de Salvador e de outros municípios.

O diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, presente à sessão especial, representando o secretário de Cultura do estado, falou do senador e da homenagem. “Paim é uma figura que, em meio ao cenário que vislumbramos hoje, manteve sua integridade política. Um homem negro, que vem de uma cidade onde apenas 10% de sua população é negra. É um privilégio para a Bahia ter como conterrâneo uma figura do tamanho e importância que Paim possui”, disse.

Paim é autor de projetos como Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), Estatuto da Pessoa com Deficiência e Estatuto da Igualdade Racial, este que, segundo o senador, foi referenciado pela Carta da Liberdade - documento que lastreou a luta contra o apartheid na África do Sul, que contou com a participação de Nelson Mandela. Paim é o único negro no Senado federal, com 81 parlamentares.

Sua história de vida foi relatada em vídeo, exibido no início da sessão, trazendo momentos de sua infância em Caxias do Sul (RS), onde começou a trabalhar aos 8 anos. A atuação na Metalurgia o levou à militância sindical, o que o aproximou da Bahia por muitas vezes. “Se eu não tivesse que nascer em Caxias do Sul, era na Bahia que eu queria ter nascido”, afirmou.

2No Senado, sua trajetória é de desde 2003, quando se elegeu com mais de 2 milhões de votos. Esta credibilidade política se traduz, hoje, em mais de mil propostas de lei. Hoje, Paim é relator de importantes projetos que afetam a vida de muitos brasileiros e brasileiras: projeto de Terceirização (PL 4330/2004), Projeto do Direito de Greve (PLS 127/2012) e o PLS 432/2013, que regulamenta o conceito de trabalho escravo no país. “trabalho escravo não se regulamenta, se proíbe!”, enfatizou em sua fala ao apresentar suas causas diante dos projetos.

“Foi com muita satisfação que apresentei a indicação para entrega desse título ao senador Paim. Um militante, com acentuada dedicação pelo social e respeito pelo país, sempre em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos aposentados e pensionistas, servidores públicos e assalariados”, disse a deputada Fátima Nunes.

“Ele simboliza muito mais que um militante das causas sindicais, raciais ou dos aposentados. É um exemplo positivo para a cidadania brasileira”, enfatizou Zulu Araújo. Na ocasião, Zulu presenteou o senador Paim com o livro “Balé Folclórico da Bahia, um Patrimônio Cultural do Brasil", que retrata a história do grupo.


Foto: Divulgação

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