21/11/2016
20 de Novembro, dia da morte de #Zumbi dos Palmares. Dia de celebração. Dia de reflexão. Vivemos momentos duros e de retrocessos, tanto no Brasil quanto no mundo. Crise econômica, crise política, impeachment, crise ética, explosão da imigração na Europa, Trump eleito nos EUA e uma agenda conservadora varrendo o planeta, além da belicosidade presente em quase todos os cenários.Tudo isto merece uma atenção redobrada. Mas, não devemos esquecer que tivemos conquistas importantes, nos últimos 20 anos, e que não podemos perdê-las, a saber: A III Conferência Mundial de Combate ao Racismo e a Intolerância e a década Internacional dos afro descendentes, (realizada e coordenada pela ONU), a inclusão da História da África e da Cultura Negra no ensino fundamental brasileiro, a regularização dos territórios remanescentes de quilombos, o estatuto da igualdade racial e a aprovação por unanimidade, pelo Supremo Tribunal Federal, das cotas raciais para o ensino superior no Brasil, são algumas delas. Só com as cotas colocamos mais de 600 mil jovens negros nas universidades, dando-lhes condições mínimas de competitividade para o mercado de trabalho.
Portanto, consolidar estas conquistas, é fundamental. E para tanto, teremos que estar firmes e fortes, assim como ter a habilidade necessária para superar os obstáculos, ampliar nosso arco de aliança e garantir a continuidade dessas políticas públicas. Mas, isto só não basta, pois, os setores conservadores e racistas da sociedade brasileira tem reagido de forma dura e contundente a estes avanços. A intolerância religiosa tem se ampliado, a violência contra a juventude negra cresceu exponencialmente, chegando mesmo a chamar a atenção dos organismos internacionais, além do recrudescimento de atos racistas, particularmente nas redes sociais e nos esportes de massa como o futebol.
Daí ser fundamental que construamos uma nova agenda política, sejamos criativos nas formas de organização (o modelo que nos deu tantas vitórias nos últimos está mais do que esgotado), renovemos e qualifiquemos os nossos quadros e construamos novas pontes para alcançarmos novas vitórias. Nesta nova agenda, precisamos assegurar a presença no mercado de trabalho desses milhares de jovens cotistas que em breve serão profissionais, garantir o direito à liberdade religiosa, promovera paz, em particular junto a juventude negra, por meio de políticas públicas, particularmente no campo da educação e da cultura, qualificando e capacitando a rede pública, além de combater incessantemente todas as formas de racismo e discriminação.
Viva a democracia, Viva a Igualdade Racial, Viva Zumbi dos Palmares! Toca a zabumba que a terra é nossa!
Zulu AraújoDiretor Geral da Fundação Pedro Calmon/SecultBa