FliCaixa discute sobre Vozes e Falas do Brasil a partir das línguas africanas

01/05/2017
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A Festa Literária da Caixa – Flicaixa teve sua primeira edição realizada neste sábado (29), na Caixa Cultural, em Salvador, onde reuniu personalidades da literatura brasileira para discutir temas sobre história, contemporaneidade, arte e cultura em geral. Mediador da mesa Vozes e Falas do Brasil, o diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo, esteve a lado da historiadora carioca Mary Del Priore e da linguista baiana Yeda Pessoa de Castro, que falaram da influência das línguas africanas no português falado no Brasil.

Na abertura da mesa de discussão, a professora especialista em História do Brasil e doutora em História Social, Mary Del Priore, autora de 37 livros, falou sobre a necessidade de resgate da identidade do povo brasileiro e sublinhou a inventidade no Brasil. “Os séculos XVIII e XIX foram uma balbúrdia de vozes. Éramos uma nação de muita fala e de muito movimento”, comentou Del Priore, se referindo às interferências européias e africanas na cultura do Brasil.

Doutora em Línguas Africanas pela Universidade Nacional do Zaire, Consultora Técnica em Línguas Africanas do Museu da Língua Portuguesa (SP), Yeda Pessoa de Castro destaca a quantidade de vogais na oralidade brasileira, o que caracteriza o jeito cantado de falar e diferencia o português falado aqui, do lusitano. “Temos que considerar a contribuição do povo bantu na construção da língua falada no Brasil, houve tempo em que os africanos eram cerca de 75% dos falantes no Brasil”, explicou a professora, autora de ‘Falares Africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro’.

Para Zulu Araújo que mediou a mesa, dizendo-se honrado em participar da aula-viva que se construiu durante o debate, “o português é o resultado de todas as vozes que foram faladas desde o Brasil Colônia e durante o Império”. Além de dizer do quão importante é conhecer a história do Brasil, para ter respostas que nos proporcione entender melhor o momento atual que se vive.

A mais jovem expectadora desse encontro de figuras antológicas, Luiza Souto, 15 anos, foi à FliCaixa acompanhada pela mãe, Ivana Souto, gestora cultural. A estudade do 1º ano do ensino médio, disse estar curiosa para pesquisar mais sobre as duas convidadas e suas obras. “Foi um debate muito enriquecedor, sobretudo porque foi uma surpresa saber a importância da mulher negra escravizada na educação e cuidado dos filhos dos brancos do Brasil Colônia”, disse ao se referir à declaração da professora Yeda de Castro sobre a contribuição da mulher negra, enquanto babá.

A programação da FliCaixa incluiu ainda nomes como Xico Sá, Fabricio Carpinejar, Conceição Evaristo e Lívia Natália. Além da FliCaixinha, que incluiu atividades lúdicas para o entretenimento das crianças presentes ao evento.

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