#Colóquio - Reorganização no pós-independência foi tema de debate nesta quinta (6)

06/07/2017
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Debates, rotas históricas, informação e conhecimento. Assim foi marcado o Colóquio Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia, realizado nesta semana pelo Centro de Memória da Bahia – vinculado à FPC/SecultBA. Nesta quinta-feira (6), data que se encerram os debates, a Mesa-redonda IV tratou do tema “Brasileiros Independentes, e agora? Reorganização social pós-conflitos de Independência”.

A professora da Secretaria de Educação do Estado da Bahia e Mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Elisa de Moura Ribeiro, abriu os debates destacando a importância do tema: “é importante a gente falar do pós- independência, pois os olhos voltam-se para a Independência em si, e para. Não há muitos estudos sobre o pós”.

“Ser brasileiro era algo muito recente, novo, não havia uma identidade de pertencimento e a questão da nacionalidade não era pronta. Até então todos se consideravam portugueses, não havia o ‘ser brasileiro’, e depois se tornou até uma questão de decisão”, contou Elisa, que destacou ainda que a Independência, a priori, não trouxe mudanças significativas para o povo.

“Na década de 20, a gente não tinha muitos indícios de um projeto republicano, isso aconteceu mais na década de 30. A Bahia estava trilhando a sua trajetória dentre as outras províncias. Antes do Dois de Julho ela não era. Assim como o Brasil também não era”, destacou a professora.

Anti-lusíadas – O doutor em História pela UFBA, e professor da mesma Universidade, Dilton Oliveira Araújo, iniciou sua fala acentuando que uma das mais importantes características da sociedade da Bahia era o sistema escravagista; e não foi a Independência que mudou esse fato.

“O que vai aparecer mais adiante é um cenário de bandeiras anti-lusíadas. Os portugueses ainda detinham grande participação no comércio, ocupando a maior parte dos empregos na época. Isso é visto até a década de 1850, onde jornais lançavam críticas ferrenhas a esse cenário”, contou Dilton.

De acordo com o professor, logo em 1824 surgiram insurreições como o Levante dos Periquitos. O grupo era formado em sua maioria de negros e ex-escravizados, que tinham saído dessa condição por lutar pela Independência. “Eles lutavam por uma abertura de espaço que foi formado nesse processo de ruptura com a Corte”, disse o professor, que ainda prosseguiu:

“Ao longo das décadas iniciais do pós-independência, esses espaços não foram conquistados e os levantes foram derrotados. Não foram realizadas mínimas mudanças na sociedade baiana. A Independência foi algo meramente político”, finalizou Dilton.

A professora Rita Araújo acompanhou o Colóquio: “foi muito interessante, todos os debates, todas as informações que colhemos aqui. Gostaria muito que meu alunos viessem, participassem, ouvissem a nossa história.” O Colóquio será encerrado pelo professor Sergio Guerra Filho na noite desta quinta.

Independência do Brasil na Bahia - A Fundação Pedro Calmon/SecultBA realiza, ao longo de todo o mês, diversas atividades por meio de suas Diretorias do Livro e Leitura, de Bibliotecas, no Arquivo Público e Centro de memória da Bahia no intuito de celebrar a Independência do Brasil na Bahia. São palestras, oficinas, debates, artigos, publicações, contações de histórias e exposições, que resgatarão a memória das lutas do povo baiano por sua liberdade.

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