Palestra no Arquivo Público do Estado encerra programação do 2 de julho

28/07/2017
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O doutorando em História pela Universidade Federal da Bahia, Marcelo Siquara, falou sobre a evolução e contextualização do processo de ruptura na palestra “Independência do Brasil na Bahia e seus desdobramentos”. A atividade aconteceu nesta quinta-feira (27), no Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB) – vinculado à FPC/SecultBA.

Há quase dez anos, o historiador especialista em História Política, Econômica, Social e Cultural do Brasil se debruça sobre o Processo de Independência do Brasil na Bahia (1821-1823). Na ocasião, ele relembrou a importância do APEB para os pesquisadores: “É um espaço que a gente não deixa de frequentar, desde a graduação até o Doutorado, sempre podemos garimpar preciosidades aqui. O APEB sempre nos traz algo novo”.

O historiador contou que sempre viu o 2 de Julho como o resultado de uma série de contribuições sociais, culturais e políticas. “Vale lembrar que 90% da população vivia no limiar da pobreza e o índice de analfabetismo também gira em torno desse número”, disse.

A quantidade de abastados na época era muito pequena, portanto, explicou Marcelo, quem estava nas batalhas eram os pequenos comerciantes, agricultores, escravos e libertos, pessoas comuns de uma forma geral, pois o Brasil não tinha exército.

“Podemos observar uma evolução no contexto. Primeiro veio a aversão ao absolutismo, ao excesso de poder, mas não contra a Monarquia. Depois, o combate à presença de Madeira de Melo; e por fim, a luta pela ruptura total com Portugal”, explicou o doutorando.

Ele continuou: “Foi a primeira vez que pessoas comuns discutiam em praças públicas se o Rei deveria ou não ficar, e isso era inimaginável para a época, principalmente num regime absolutista”. Marcelo citou um documento que localizou no APEB acerca de um processo movido contra um escravo e um liberto que foram remetidos à cadeia pública de Salvador.

“Eles foram presos por práticas políticas. Ou seja, havia escravos e ex-escravizados discutindo no dia claro sobre se o Rei deveria ou não continuar no poder. A constitucionalização do Império vai permitir essas discussões entre pessoas comuns. As que não sabiam ler iam a praças públicas onde os letrados liam os panfletos e folhetos políticos”, contou Marcelo Siquara.

“É uma temática que me interessa muito. Sou mais ligado a História regional, mas como a Independência se deu em vários âmbitos, é tanto micro como macro, então me interessa muito também”, disse o estudante de História, Roger Leite.

Dimensão – Durante a palestra, Marcelo Siquara destacou a necessidade de se ocupar os espaços de direito dos cidadãos, sobretudo sobre o 2 de Julho. “Nós como baianos não estamos valorizando o nosso 2 de Julho, que faz parte do nascimento da nacionalidade brasileira. Se a Bahia tivesse perdido, outras províncias do Nordeste também pertenceriam a Portugal”, ele disse.

“Antes do 2 de Julho não existia brasileiro. Éramos ‘portugueses da América’. O Brasil como se apresenta hoje nos mapas é devido ao 2 de Julho”, ele finalizou. A atividade encerrou a programação da Fundação Pedro Calmon sobre a independência do Brasil na Bahia.

Arquivo Público – Com 126 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), é a segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente consultados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público.

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