Mineira de coração baiano, considerada pela crítica especializada como uma das melhores cantoras da nova geração, Jussara Silveira participará da 3ª edição do projeto “O Violão e a Palavra”, iniciativa da Fundação Pedro Calmon/SecultBA que reúne musica e literatura em uma apresentação aberta ao público. Será na Festa Literária Internacional do Pelourinho, a Flipelô, no dia 11 de agosto (sexta-feira), às 21h30, no Largo do Pelourinho. Aberto ao público.
A cantora se apresentará acompanhada ao violão pelo compositor, cantor, violonista e pianista Luciano Salvador Bahia e terá mediação do compositor, estudioso e crítico da música brasileira, Paquito. A apresentação de “O Violão e a Palavra” será baseada em três linhas: destaque à produção poética de Jorge Amado, musicada por grandes nomes; um segundo momento dedicado a composições temas de filmes, séries, novelas, teatro, inspiradas na obra de Jorge Amado e um terceiro momento, que destacará a importância do escritor, não só em nosso cancioneiro popular, mas sobretudo, na Literatura e Poesia de outros países de língua portuguesa. Jussara Silveira conversou conosco sobre esta junção lítero-musical. Confere:
FPCEntrevista - Em 2014, você interpretou no espetáculo “Outra Hora da Estrela”, que dialoga com a obra de Clarisse Lispector, e apresentou em cidades como São Paulo, Natal, Rio de Janeiro, Lisboa e Salvador. Neste ano, O Violão e a Palavra homenageará Jorge Amado. Como você vê esta junção da Literatura com a Música?
Jussara Silveira – De uma forma natural. A canção está intimamente ligada à palavra e à literatura. Ao homenagear Jorge Amado, isso se evidencia de uma forma mais forte ainda. A gente fez um acervo de canções baseadas nas obras de Jorge, não só as que ele escreveu, mas também outras que revelam a sua obra. Isso amplia muito o que a gente imagina do Jorge. Por exemplo, fazia muito tempo que eu não o lia, então tivemos que voltar à Literatura, rever os filmes. Ele tem muitas composições com Caymmi, este que seria a versão mais verdadeira daquilo que a música popular nos representa, a expressão do imaginário popular. Isso vem também através de Jorge no momento que ele fala do povo, da relação amorosa e sexual, da relação com a gastronomia e também com a canção. Acho que está tudo absolutamente interligado. Como Paquito mesmo disse: “se a gente abrisse todas as janelas, ia entrar muito sol”. Essa união da Literatura com a Música dá um lastro de curiosidade para o leitor ir buscar o livro, e esse é o foco da Fundação Pedro Calmon, fazer ler, fazer escrever. Ao mesmo tempo, a gente só escreve e fala melhor quando lê bastante. Esse formato do Violão e a Palavra incentiva a leitura.
FPCEntrevista - Qual sua expectativa junto a Luciano Salvador e Paquito, em misturar seu canto às letras e interagir com o público justo no Pelô?
Jussara Silveira – Acho que vai ser muito bacana. Já participei com a “Outra Hora da Estrela” em algumas feiras literárias pelo Brasil e estou muito feliz em fazer o encerramento dessa. Vai ter Bethânia, Moraes Moreira. Será em um local emblemático, onde, pelo menos no nosso imaginário, a obra de Jorge passeou bastante. Muito do que ele escreveu a gente imagina a cena no Pelourinho. A gente preparou canções lindas, todas ligadas à obra de Jorge, principalmente as de Dorival. Aproveito para fazer o convite ao público baiano. Da mesma forma que a gente amplia Jorge Amado a filme, televisão, teatro, canção, amplio minha vida também à Literatura.
FPCEntrevista - Você já cantou Dorival Caymmi, Maria Betânia, Caetano Veloso, Gal Costa... De que forma a Bahia influenciou e influencia a sua carreira musical?
Jussara Silveira – Eu tive a sorte de ser criada entre o litoral e o sertão baiano. Acho que quem nasceu nessa baianidade inventada por Jorge Amado e por Dorival Caymmi já tem um lastro para seguir fazendo essa canção. Eu aprendi o Tropicalismo, o Buarque, o Luiz Gonzaga. É como dizem: “as pessoas da Bahia andam dançando e falam cantando” e eu vim desse berço. O encontro que eu tive com Paquito, J. Veloso e Batatinha, e o fato de eu ter essa alma baiana ajudou a seguir esse caminho da canção. Ainda tive um maestro em casa, Carlos Lacerda, que casou com a minha mãe.
FPCEntrevista - Podemos dizer então que a Bahia te deu a régua e o compasso?
Jussara Silveira – Deu sim, e me dá, e me inspira até hoje.
Jussara Silveira, Luciano Salvador Bahia e Paquito se apresentam com o projeto “O Violão e a Palavra” no Largo do pelourinho, dia 11 de agosto (sexta-feira), às 21h30. A apresentação é aberta ao público.