I Jornada de Formação da Educação Inclusiva acontece na Biblioteca Central até esta sexta (25)

22/08/2017
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Foto: Marcelino Pimentel

Teve início nesta segunda-feira (21) a 1ª Jornada de Formação da Educação Inclusiva na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB) – vinculada à Fundação Pedro Calmon/Secu ltBA. A capacitação acontece em parceria com o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP).

“Há algumas décadas a BCEB realiza atividades voltadas para cegos e a capacitação é importantíssima para continuidade e qualidade desse atendimento, que é voltado tanto para crianças quanto para jovens e adultos com deficiência visual. A gente acredita que a leitura é algo transformador da vida de um ser humano e a inclusão é essencial num local que atende a todos os tipos de públicos”, declarou a diretora da BCEB, Lívia Freitas.

As aulas serão voltadas para formação de uma atuação em sala de aula – e em Bibliotecas - com alunos com cegueira e baixa visão, além de oportunizar a livre manifestação artística e cultural dos alunos. Com duração de 40 horas, a capacitação acontecerá até sexta-feira (24), das 8h às 18h.

O diretor geral do CAP, Rivelto Carvalho, falou sobre o trabalho realizado pela instituição e como isso irá colaborar para inclusão e acesso das pessoas com deficiência visual em locais diversos, como a biblioteca: “o trabalho que a gente desenvolve nos dá a oportunidade de sermos ser humanos melhores. Nos faz bem não só profissionalmente como espiritualmente e humanamente. A sensibilidade precisa vencer a burocracia, a inclusão deve estar em todos os lugares”.

A coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, Carmen Azevedo, representou o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, e destacou em sua fala que “acredito que essa seja a primeira de muitas outras capacitações. Todos nós estamos trabalhando pela inclusão e acreditamos que ela começa pela leitura e pela arte. Temos a proposta de sempre fortalecer essas ações, pois nós é quem devemos nos adequar às pessoas com deficiência, e não eles a nós”.

Atendimento Especializado e Inclusão

Após a mesa de abertura apresentar a iniciativa, a professora do CAP, Cátia Paim, deu início à palestra “Atendimento Educacional Especializado e Educação Inclusiva”, na qual apresentou algumas das atividades realizadas no Centro como a educação musical e física, além das disciplinas escolares usuais. “Cada pessoa precisa ser vista como singular, mesmo que elas tenham a mesma deficiência, cada uma tem necessidades diferentes e isso precisa ser respeitado”, ela disse.

E continuou: “não devemos vê-los como diferentes, e sim como um ser cheio de potencialidades. Estamos aqui para quebrar barreiras e ampliar o sentido de oferecer a educação para todos, não apenas para aqueles que estão no ambiente escolar”, concluiu a professora Cátia.

Em sua fala, o aluno do CAP, Mateus Lago, comoveu todos os presentes: “eu sou cego de nascença e estou concluindo agora o ensino médio. A inclusão deve, primeiramente, começar dentro de nós. Se não nos sentirmos incluídos, não nos sentiremos parte e nem acolhidos em lugar algum. Eu não sou deficiente, eu sou eficiente, tenho muitas capacidades. O que importa é que a alma não seja deficiente, o restante é matéria e pode vir do jeito que for”.

Qualificação, Relacionamento e Acessibilidade

“A Biblioteca tem o Setor Braile há 40 anos e nada mais justo que os profissionais se capacitem para melhor atender ao público. A ideia é que esse projeto tenha continuidade, que a gente faça todo mês atividades voltadas para cegos. A unidade já tem algumas atividades como partidas de xadrez, Cine Acessível e oficinas. A ideia é aprofundar essas atividades”, disse a subgerente de atividades especiais do Setor Braile da BCEB, Raquel Ávila.

A estagiária do Núcleo de Educação Inclusiva da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e estudante de Farmácia, Jevem Lins, também participará da capacitação: “estou aqui no intuito de aprender como melhorar meu relacionamento interpessoal com as pessoas cegas. A gente deve estar sempre acessível, eles necessitam que nós estejamos preparados para atender suas necessidades”.

A Jornada objetiva aprimorar o atendimento do corpo técnico das bibliotecas e capacitá-los para melhor servir aos portadores de deficiência visual, beneficiando assim a relação interpessoal entre funcionários e o público que necessita de atendimento especializado. A capacitação se dará em quatro atividades: atendimento especializado, braile, oficina de orientação e festival de artes – até esta sexta-feira (25).

 

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