Biblioteca Central recebeu o Festival de Artes da Pessoa com Deficiência

14/09/2017
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Foto: Jônatas Almeida

O térreo da Biblioteca Central do Estado da Bahia se tornou pequeno para a quantidade de pessoas que foi assistir o Festival de Artes da Pessoa com Deficiência, nesta quarta-feira (13), às 14h.

A atividade - que integra o projeto Primavera para Todos, realizado em todas as Bibliotecas públicas estaduais durante o mês de setembro -, teve o público estimado em 200 pessoas. Segundo Rivelto Carvalho, diretor geral do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual – CAP, esse é um marco na perspectiva de ampliar as possibilidades de inclusão através das manifestações artísticas.

“Gostei muito e espero que tenha outras”, contou Celeste Alves, servidora da Coordenação para Diversidade, na Secretaria de Educação. “A Biblioteca é um centro cultural e vem realizando atividades de inclusão. O Centro de Apoio Pedagógico - CAP mostrou a Salvador atividades culturais realizadas pelos próprios alunos”, acrescentou Celeste.

O Festival é uma das atividades da Primeira Jornada de Formação da Educação Inclusiva, uma parceria entre a Biblioteca e o CAP. “Foi um momento muito importante para a Biblioteca, porque além de estreitar os laços com uma instituição que presta o atendimento à pessoa com deficiência visual, trouxe ganhos para nós. Já realizamos dois cursos em parceria, um deles está em andamento e o Festival é o ápice. Espero que essa parceria perdure por muito tempo”, contou Lívia Freitas, diretora da Biblioteca Central.

O evento contou com apresentações musicais, teatrais, de arte marcial, exposições de quadros e artesanatos, além de realizações de máscaras. Uma dessas apresentações foi a da jovem de 10 anos, Antônia Sousa, que foi convidada pelo Centro Pestalozzi de Reabilitação para fazer uma apresentação musical, na qual ela cantou e encantou.

“Minha filha, Antônia tem autismo, e foi a partir do nascimento dela que nós despertamos para a inclusão, diversidade, o quão importante é estarmos juntos. Hoje pudemos compreender que não existem deficientes e sim pessoas muito mais do que especiais”, disse Leonice Bispo, que trouxe a filha do município de Inhambupe, para a apresentação.

Com o olhar atento aos quadros da exposição de Maria Crispina, estava a estudante Wilma Priscila, de 15 anos. “Achei tudo lindo e importante, porque mostra que as pessoas com deficiência podem realizar artes”, disse.

Maria Crispina, de 60 anos, tem dificuldade visual alta, porque tem retinose pigmentar. Ela contou que sempre desenhou nas paredes e em 2013, ao procurar uma escola para estudar artes, conseguiu adentrar na Faculdade e deu os primeiros passos no estudo dos mestres das pinturas. Além de pintar, ela descobriu outro talento quando foi para o CAP, que foi a música, e hoje toca teclado com partitura.

“Quero agradecer a todos. E essa foi a oportunidade de mostrar que a deficiência visual não é limitadora para nada e que nenhum deficiente é limitado de nada. Estou feliz com a oportunidade que o CAP me deu de mostrar que tudo pode”, contou Crispina.

“Assim como a arte ajuda as pessoas tidas como normais a não se envolverem com coisas erradas, ela também ajuda as pessoas com limitações a se descobrirem capazes. Todos nós temos deficiências, mas também temos potências na vida”, ressaltou Mateus Lago, representante dos alunos do CAP.

Primavera para Todos - No mês de setembro, o dia 21 é marcado pela comemoração do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Desta forma, o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Bahia da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia realiza, dentro do Projeto Primavera para Tod@s, diversas ações culturais nas suas bibliotecas, a saber: Oficinas de vivências, palestras, filmes, apresentação musical, além do Encontro com o Escritor que terá a presença de seis escritoras com deficiência debatendo o processo criativo de suas obras. Confira toda a programação gratuita aqui.

 

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