Neste ano de 2017 comemora-se 120 anos do fim de um dos maiores confrontos realizados no Brasil, a Guerra de Canudos, que mobilizou grande parte do exército brasileiro contra a população daquela cidade. E com o tema “Canudos e Antônio Conselheiro: 120 anos de História e Memória”, o Arquivo Público da Bahia realizará a quarta edição do Projeto “Com a Palavra o Pesquisador”, que será ministrado pelo cineasta Antônio Olavo.
O cineasta, no dia 28, às 14h30, realizará um bate-papo com o público e irá mostrar documentos iconográficos da cidade, temática que trabalha desde os 28 anos. A atividade será realizada no auditório do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), na Ladeira de Quintas, 50, Baixa de Quintas e as vagas são limitadas. Para solicitar a inscrição, basta enviar um e-mail para o endereço apb.fpc@fpc.ba.gov.br. A atividade será certificada.
“O que me motivou a realizar projetos sobre Antônio Conselheiro e Canudos é a força, importância do tema. Tinha 28 anos quando comecei, considero uma temática apaixonante, e que na época era um tema desconhecido. Antônio Conselheiro é um ícone do Brasil, que merece muito respeito e destaque na história do país”, contou Antônio Olavo.
Entre os trabalhos desenvolvidos por ele estão memórias fotográficas de canudos, que foi o primeiro projeto com esse assunto, lançado em 1987, o filme documentário “Paixão e Guerra”, que estreou em 1993 e foi exibido nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente, Olavo produz “Ave Canudos, os que sobreviveram te saúdam”, projeto audiovisual que irá destacar as trajetórias dos sobreviventes da guerra de canudos. “O cinema tem o poder de transformar as pessoas, que por sua vez mudam o mundo”, ressaltou Olavo.
“Canudos foi a possibilidade real de um antigo sonho da sociedade, viver em um local justo, sem fome, opressão, miséria, prostituição. Só que como muitas pessoas deixaram seus trabalhos para viver, trabalhar em Canudos e seguir Antônio Conselheiro, o fato incomodava os latifundiários. Como Canudos não reconhecia o governo republicano e não arrecadava impostos, também incomodava o governo, que tinha medo que outras cidades fizessem o mesmo”, contou Olavo.
O projeto "Com a Palavra o Pesquisador”, começou este ano (2017) e ocorre mensalmente. Tem por finalidade destacar e dar visibilidade às fontes documentais custodiadas pelo Arquivo Público da Bahia, a partir do relato de pesquisadores que tenham se dedicado ao estudo das referidas fontes.
Arquivo Público – Com 126 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), é a segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente consultados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público.